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Renda fixa nos EUA: conheça os bonds e saiba se são uma boa opção

Bonds

Bonds. Foto: Unsplash

Tendo em vista a volatilidade comum ao mercado nacional, diante de incertezas políticas e econômicas, muitos brasileiros pensam em investir nos Estados Unidos. Um das opções nesse sentido são os bonds, títulos de renda fixa da maior economia do mundo. A seguir, entenda o que são esses papéis, como funcionam e se são uma boa opção para investir nesse momento.

“Os bonds são os títulos de renda fixa na nomenclatura americana”, explica Alexandre Brito, sócio e gestor da Finacap Investimentos. “Eles podem ser emitidos pelo governo dos Estados Unidos (os chamados Treasury Bonds) ou por empresas privadas, os Corporate Bonds. No caso dos corporativos, há dois grandes grupos: os de menor risco de crédito, conhecidos como investment grade, e os de maior risco, chamados de high yield“, complementa.

Na prática, os bonds americanos funcionam como um empréstimo: o investidor empresta dinheiro ao emissor e recebe juros periódicos, chamados de cupons, além do principal no vencimento. “Os Treasuries são considerados os títulos mais seguros do mundo. Já os corporate bonds oferecem taxas maiores porque carregam mais risco de crédito”, complementa Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital.

Outro conceito-chave é a duration. Quanto maior o vencimento, maior o chamado duration, que representa o risco de oscilação em função das mudanças na curva de juros. Títulos de curto prazo tendem a ser menos sensíveis a essas oscilações, enquanto os de longo prazo apresentam maior volatilidade nesse aspecto, segundo Brito.

Como está o cenário dos bonds?

Os juros nos EUA estão em níveis historicamente altos, com a taxa Fed Funds na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano. Esse ciclo de alta, segundo os analistas, criou um cenário favorável para quem busca renda fixa em dólar.

“Os bonds surgem como uma alternativa bastante atrativa. As taxas estão em patamar elevado, quando comparadas aos últimos 20 anos”, diz Brito.

“Após o ciclo de alta do Fed, esses títulos estão pagando rendimentos historicamente elevados em dólar. Além disso, com a perspectiva de cortes de juros nos próximos meses, quem comprar agora pode se beneficiar da valorização dos papéis no mercado secundário“, complementa Bergamo.

A rentabilidade desses títulos, portanto, é afetada pela taxa de juros dos EUA: quanto maior a taxa, maior o pagamento dos juros periódicos. Já o preço dos bonds costuma funcionar de forma oposta.

“Cortes nos juros tendem a valorizar os papéis, especialmente os de duration mais longa, enquanto aumentos pressionam os preços para baixo”, afirma Brito.

“Quem investe antes do início de um ciclo de queda pode lucrar duas vezes: com os cupons recebidos e com a valorização do título”, afirma Bergamo.

Vantagens, riscos e caminhos para investir

Alguns dos principais benefícios de se investir em bonds envolvem segurança, previsibilidade e diversificação cambial.

“As vantagens dos bonds estão na segurança, especialmente os Treasuries, que carregam a confiança do governo americano, na previsibilidade dos fluxos de pagamento e na diversificação cambial, já que são investimentos em dólar“, diz Bergamo.

Já os riscos dos bonds, segundo a especialista, passam pela marcação a mercado e pela volatilidade cambial para o investidor brasileiro.

“Vender o título antes do vencimento pode gerar perdas se os juros subirem, e o câmbio é um fator que pode jogar contra”, afirma.

“No caso dos Treasuries, o risco de crédito é praticamente nulo. Já os corporate bonds exigem análise mais detalhada da empresa emissora e diversificação para mitigar riscos”, complementa Brito.

Para os investidores que se perguntam como investir em bonds, os especialistas citam três principais caminhos:

Vale incluir bonds na carteira agora?

De acordo com Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital e Alexandre Brito, sócio e gestor da Finacap Investimentos, o atual momento representa uma oportunidade para investir na renda fixa americana.

“Recomendamos priorizar títulos de duration mais curta e evitar exposição excessiva a crédito neste momento, já que o prêmio de risco está relativamente baixo”, pondera Brito.

“Faz muito sentido diversificar incluindo bonds neste momento. Eles estão pagando taxas historicamente elevadas em dólar, oferecem segurança em meio a um cenário global de incertezas e ainda podem se valorizar se o Fed iniciar cortes de juros. Para o investidor brasileiro, além do retorno financeiro, há a vantagem de diversificação geográfica e cambial, o que ajuda a proteger o patrimônio contra riscos locais”, complementa Bergamo.

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