Boeing (BOEI34) tem caixa positivo, mas BTG ainda vê alerta na decolagem
A Boeing (BOEI34) até conseguiu levantar voo no 2T26, mas ainda sem céu totalmente limpo. A fabricante americana reportou geração de caixa positiva e entregas maiores no trimestre, mas margens mais fracas e desafios de execução fizeram o BTG Pactual manter uma postura cautelosa com a Boeing.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (28), o banco classificou os resultados como mistos. A receita líquida da Boeing somou US$ 24,6 bilhões no segundo trimestre, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado e em linha com a estimativa do BTG.
O lucro operacional foi de US$ 156 milhões, revertendo o prejuízo operacional de US$ 176 milhões registrado no 2T25. A margem operacional ficou em 1%, contra margem negativa de 1% um ano antes.
Apesar da melhora, o resultado foi pressionado por US$ 280 milhões em perdas relacionadas a investimentos adicionais em produção e certificação do programa VC-25B, conhecido como Air Force One. O lucro por ação ficou negativo em US$ 0,67, pior que a estimativa do BTG, de perda de US$ 0,38.
Entregas melhoram e carteira bate recorde
O principal ponto positivo veio das entregas. A Boeing entregou 171 aeronaves comerciais no 2T26, alta de 14% na comparação anual. Com isso, a divisão de aviões comerciais registrou receita de US$ 11,8 bilhões, crescimento de 8% em um ano.
A margem operacional do segmento ainda ficou negativa, em 3%, mas melhorou em relação aos 5% negativos registrados no 2T25.
A carteira de pedidos também chamou atenção. A Boeing encerrou o trimestre com backlog recorde de US$ 715 bilhões. Apenas na divisão de aviões comerciais, a carteira chegou a US$ 597 bilhões, acima dos US$ 522 bilhões de um ano antes.
Na área de Defesa, Espaço e Segurança, a receita foi de US$ 7,5 bilhões, alta de 13%, mas a margem operacional ficou zerada, pressionada pelo programa Air Force One. A carteira do segmento somou US$ 85 bilhões.
Já a divisão de Serviços Globais teve receita de US$ 5,3 bilhões, estável na comparação anual, com margem operacional de 18%. O backlog da área chegou a US$ 33 bilhões.
Por que o BTG segue neutro?
Mesmo com melhora nas entregas, o BTG manteve recomendação neutra para a Boeing, com preço-alvo de US$ 260 por ação. Considerando o preço de US$ 217,80 usado no relatório, o potencial de valorização estimado é de 19,4%.
A cautela vem do fato de que ainda há etapas importantes pela frente. Entre elas estão programas de certificação, aumento do ritmo de produção e entregas, além da recuperação da divisão de defesa.
Na teleconferência de resultados, a administração da Boeing afirmou que o fluxo de caixa livre deve acelerar no segundo semestre de 2026, especialmente no quarto trimestre. A companhia espera entregar perto de 500 aviões 737 e entre 90 e 100 unidades do 787 no ano.
A Boeing também avançou no programa 737, com transição para uma taxa de produção de 47 aeronaves por mês, ativação da linha North Line em julho e testes de certificação concluídos para os modelos 737-7 e 737-10. A certificação ainda é esperada para 2026, com primeiras entregas em 2027.
No 777X, a empresa recebeu aprovação da FAA para iniciar os testes de certificação em voo, com primeira entrega ainda esperada para 2027.
Para o BTG, o trimestre foi mais um passo na recuperação gradual da Boeing (BOEI34), com destaque para caixa e entregas. Mas, até que haja mais visibilidade sobre crescimento de lucros, ramp-up de produção e melhora em defesa, o banco prefere continuar “em solo”, mantendo recomendação neutra para a ação.
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