O Banco do Brasil (BBAS3) entrou no radar da XP por um motivo pouco animador: a recuperação do crédito no agronegócio pode demorar mais do que o mercado esperava. Em relatório, os analistas cortaram o preço-alvo da ação de R$ 25 para R$ 21 e mantiveram recomendação neutra para os papéis, citando potenciais limitados de alta e riscos ainda relevantes na qualidade da carteira.
O novo preço-alvo representa alta potencial de cerca de 5% sobre a cotação de R$ 20 considerada no relatório. Para a XP, a assimetria de risco segue negativa, já que a pressão persistente sobre a qualidade do crédito pode continuar pesando sobre os lucros do banco.
Banco do Brasil (BBAS3) sente pressão do agro
O principal ponto de atenção segue no agronegócio. Segundo os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, a XP vê um ciclo de ajuste mais longo no setor, com margens dos produtores ainda pressionadas e normalização da qualidade dos ativos mais lenta do que o previsto.
O relatório aponta que os preços das commodities continuam deprimidos, o real se fortaleceu, as despesas financeiras seguem elevadas e os dados de recuperações judiciais de abril indicam estresse financeiro relevante entre produtores rurais.
A XP reconhece que as novas safras da carteira do Banco do Brasil contam com critérios de concessão mais rígidos e garantias mais fortes. Ainda assim, o chamado legado da carteira deve continuar absorvendo os efeitos atrasados da piora do ciclo, mantendo pressão sobre inadimplência e provisões.
Carteira de pessoas físicas também preocupa
A pressão não vem apenas do agro. A XP também vê deterioração adicional na carteira de pessoas físicas, especialmente entre clientes ligados à atividade rural e produtos sem garantia, que têm maior rentabilidade, mas também maior risco.
Por outro lado, receitas mais fortes de tesouraria, em um ambiente de juros ainda elevados, além de controle de custos e eficiência operacional, devem ajudar a compensar parte desses efeitos. Mesmo assim, os analistas esperam que os lucros fiquem mais próximos da parte inferior do guidance.
Nas estimativas da XP, o lucro líquido do Banco do Brasil (BBAS3) deve somar R$ 18,3 bilhões em 2026, com ROE de 9,4%. Para 2027, a projeção sobe para R$ 26,5 bilhões, com ROE de 12,7%, refletindo uma recuperação gradual, mas ainda sem gatilhos claros de curto prazo.
Valuation limita o otimismo
Outro fator que segura uma visão mais positiva é o valuation. A XP afirma que o Banco do Brasil (BBAS3) negocia a cerca de 6,3 vezes o lucro estimado para 2026, acima da média histórica de aproximadamente 4,5 vezes. Para os analistas, esse múltiplo reflete mais a deterioração dos resultados do que uma melhora dos fundamentos.
No caso do Banco do Brasil (BBAS3), a XP resume que “continuamos vendo uma assimetria de risco negativa”, diante de custos de crédito elevados, flexibilidade de capital limitada e um ciclo do agro ainda desafiador.
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