O Banco do Brasil (BBAS3) aproveitou a divulgação dos resultados do segundo trimestre para colocar mais dinheiro no calendário dos acionistas. O banco anunciou nesta quarta-feira (12) o pagamento de R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) complementares referentes ao 2T26, com crédito previsto para setembro.
O valor corresponde a R$ 0,10245643978 por ação, antes dos impostos. Com a atualização pela taxa Selic acumulada até 12 de agosto, o montante informado chega a aproximadamente R$ 0,1041 por papel, embora a correção continue incidindo até a data efetiva do pagamento.
O anúncio acompanha um trimestre em que o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e acima dos R$ 3,5 bilhões esperados pelo consenso de mercado.
Quem tem direito aos JCP de BBAS3?
Para receber os novos proventos, o investidor precisa ter ações do Banco do Brasil (BBAS3) em carteira no fechamento do pregão de 1º de setembro de 2026.
Essa é a chamada data-com, que funciona como uma espécie de corte para definir quais acionistas terão direito ao pagamento.
A partir de 2 de setembro, BBAS3 será negociada na condição ex-JCP. Isso significa que quem comprar as ações a partir dessa data não participará desta distribuição específica.
O dinheiro será pago em 11 de setembro de 2026. Para quem possui as ações por meio de uma corretora, os recursos são repassados pela instituição responsável pela custódia dos papéis.
O Banco do Brasil também informa que os valores podem ser creditados em conta corrente ou poupança-ouro. Acionistas com cadastro desatualizado terão o pagamento retido até a regularização dos dados.
Quanto o Banco do Brasil vai pagar por ação?
O valor nominal anunciado é de R$ 0,10245643978 por ação. Assim, desconsiderando por enquanto a atualização pela Selic e a tributação, um acionista com:
- 100 ações teria direito a aproximadamente R$ 10,25;
- 500 ações, cerca de R$ 51,23;
- 1.000 ações, aproximadamente R$ 102,46;
- 5.000 ações, cerca de R$ 512,28.
Há, porém, uma diferença importante entre JCP e dividendos. Os juros sobre capital próprio estão sujeitos à retenção de Imposto de Renda na fonte, conforme a legislação aplicável. Portanto, o valor líquido que efetivamente chega ao investidor será menor que o montante bruto anunciado, salvo nos casos de acionistas legalmente isentos.
Além disso, o BB informou que os valores serão atualizados pela Selic entre 30 de junho e a data do pagamento. Sobre essa atualização também haverá a tributação correspondente.
Pagamentos do 2T26 chegam a cerca de R$ 925 milhões
Os R$ 584,9 milhões anunciados agora não representam toda a remuneração do Banco do Brasil referente ao segundo trimestre.
Em junho, o banco já havia distribuído aproximadamente R$ 340,7 milhões em JCP antecipados. Somados ao pagamento complementar, os proventos referentes ao 2T26 chegam a aproximadamente R$ 925,6 milhões.
A distribuição ocorre dentro de uma política de remuneração mais conservadora adotada pelo BB em 2026. Para este ano, o banco estabeleceu payout de 30%, indicador que representa a parcela do lucro destinada aos acionistas na forma de dividendos e JCP.
O Banco do Brasil prevê oito fluxos de remuneração ao longo do ano, com quatro pagamentos antecipados durante os respectivos trimestres e outros quatro complementares após o encerramento de cada período.
Lucro do Banco do Brasil supera expectativa no 2T26
O anúncio também veio acompanhado de uma surpresa positiva no balanço.
O lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões ficou acima das projeções do mercado e avançou 3,3% em um ano. A carteira de crédito ampliada ultrapassou R$ 1,3 trilhão, enquanto o banco continuou lidando com níveis elevados de inadimplência e provisões para perdas.
O resultado chama atenção principalmente porque o Banco do Brasil (BBAS3) vinha enfrentando forte pressão sobre a rentabilidade, especialmente por causa da deterioração do crédito ligado ao agronegócio.
A distribuição de R$ 584,9 milhões, portanto, acontece em um trimestre no qual o lucro conseguiu superar as projeções, mas ainda dentro de uma política de payout mais cautelosa. Para receber os novos JCP, o ponto central para o acionista é a data de corte: será necessário estar posicionado em BBAS3 até 1º de setembro, com o pagamento marcado para 11 de setembro.
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