Banco do Brasil (BBAS3) acende alerta: é hora de investir nas ações?

O Banco do Brasil (BBAS3) chega ao segundo semestre com uma fotografia menos nebulosa de sua carteira de crédito, mas ainda não livre de riscos. O agronegócio, que vinha concentrando as maiores preocupações, voltou a dar sinais de melhora, enquanto um novo ponto de atenção apareceu entre as pessoas físicas, especialmente no cartão de crédito. Para o investidor, o balanço mais recente sugere que a recuperação avançou, mas ainda não permite tratar os problemas de qualidade de crédito como página virada.

O banco apresentou lucro líquido contábil de aproximadamente R$ 3 bilhões, praticamente estável tanto em relação ao mesmo período do ano passado quanto ao primeiro trimestre. Na avaliação de Malek Zein, analista CNPI da Suno, o resultado foi neutro, mas trouxe informações importantes sobre a direção que diferentes partes da carteira estão tomando.

A principal delas veio justamente de onde o Banco do Brasil enfrentou seus maiores problemas nos últimos trimestres.

Agro melhora e reduz parte do risco para BBAS3

A carteira de crédito do agronegócio continuou a trajetória de recuperação que já havia aparecido no primeiro trimestre. Segundo Malek Zein, o volume de novos atrasos voltou a diminuir, um movimento importante porque indica que menos operações estão entrando na inadimplência.

“Os novos atrasos que aconteceram seguiram reduzindo, ou seja, você tem um montante de atraso e tem aquele montante que continua atrasando mês a mês. Esse montante está minguando”, explica o analista. Ao mesmo tempo, o Banco do Brasil voltou a recompor seus índices de cobertura, reservando mais recursos para absorver eventuais perdas. Para Malek Zein, isso mostra uma postura conservadora nas provisões relacionadas ao agronegócio.

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Outro sinal favorável está na redução da carteira reestruturada, formada justamente por créditos que enfrentaram problemas e precisaram passar por renegociação. Parte desse movimento foi favorecida por iniciativas de renegociação de dívidas do setor rural.

A melhora também aparece na carteira de empresas. A inadimplência de pessoas jurídicas está próxima de 3%, patamar que o analista considera tranquilo, enquanto os níveis de cobertura permanecem saudáveis.

Cartão de crédito acende sinal amarelo

Se agro e empresas caminharam na direção esperada, a surpresa negativa veio das pessoas físicas. Essa carteira já apresentava alguma deterioração nos últimos trimestres, mas o movimento ganhou força no período mais recente. O destaque negativo foi o cartão de crédito, cuja inadimplência chegou a 14%, nível que destoou significativamente do observado em outros bancos.

A questão é que ainda não há elementos suficientes para determinar se essa piora representa uma tendência mais duradoura ou um evento pontual. “Como é muito fora da curva, é possível que seja um outlier, então aqui não dá para bater o martelo”, afirma o analista.

Essa distinção é relevante para quem acompanha BBAS3. Se a inadimplência permanecer elevada nos próximos trimestres, o banco poderá precisar aumentar provisões e absorver um custo de crédito maior. Caso o indicador recue, o salto observado agora tende a assumir um peso menor na avaliação da qualidade da carteira.

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Um ponto que ajuda a conter, por enquanto, a preocupação com a carteira de pessoas físicas é que o Banco do Brasil manteve o guidance de custo de risco. Na prática, isso sugere que a instituição ainda não vê essa piora como suficiente para alterar suas projeções para perdas com crédito, embora os próximos trimestres sejam importantes para confirmar se o movimento foi pontual ou mais persistente.

Margem e eficiência ajudam o Banco do Brasil

Fora da qualidade de crédito, o balanço trouxe uma dinâmica mais favorável. A margem com clientes continuou melhorando, mesmo sem uma expansão expressiva da carteira. O Banco do Brasil vem conseguindo recompor spreads, além de voltar a reconhecer receitas de operações anteriormente renegociadas.

Do outro lado da demonstração de resultados, as despesas cresceram cerca de 4%, abaixo da inflação e em ritmo inferior ao avanço das receitas. A combinação ajuda a melhorar a eficiência operacional justamente enquanto o banco ainda precisa lidar com os efeitos dos problemas de crédito acumulados anteriormente.

Para Malek Zein, esse conjunto faz com que o Banco do Brasil entre no segundo semestre em uma posição mais previsível do que aquela observada no começo do ano.

É hora de investir nas ações do Banco do Brasil (BBAS3)?

O resultado não entrega uma resposta definitiva de compra ou venda, mas muda a distribuição dos riscos que o investidor precisa acompanhar.

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O principal problema do Banco do Brasil, a carteira do agronegócio, apresenta sinais mais consistentes de melhora. Os novos atrasos diminuíram, a carteira reestruturada recuou e a cobertura voltou a ser recomposta. A carteira de empresas, por sua vez, não apresenta neste momento sinais relevantes de deterioração.

O contraponto está nas pessoas físicas. A inadimplência de 14% no cartão de crédito cria uma nova variável para a tese e torna os próximos balanços especialmente importantes para entender se houve apenas uma distorção pontual ou o início de uma deterioração mais persistente.

“Na minha visão, foi um resultado neutro. Ninguém esperava uma grande melhoria nesse trimestre”, avalia Malek. Para ele, o banco chega ao segundo semestre com expectativa de continuidade da recuperação do agro, mas com a carteira de pessoas físicas como novo ponto a ser monitorado.

Para quem avalia investir nas ações do Banco do Brasil (BBAS3), portanto, a melhora do agro reduz uma das incertezas que mais pesaram sobre a tese nos últimos períodos, enquanto a evolução da inadimplência das famílias passa a dividir as atenções. A confirmação de uma recuperação mais ampla dependerá justamente de como essas duas trajetórias vão se comportar ao longo do segundo semestre.

Maíra Telles

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