Após Banco Master, Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank
Dois meses após decretar o fim do Banco Master, o Banco Central anunciou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A instituição financeira pertencia ao Master.
A decisão foi formalizada em um ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, que apontou o “comprometimento da situação econômico-financeira, a insolvência e o vínculo de interesse” entre o Will Bank e o Banco Master, controlador da financeira.
O Will Bank integrava o conglomerado do Banco Master e estava sob seu controle direto. Quando o BC decretou a liquidação do Master, em novembro, optou por preservar temporariamente o Will Bank, ao avaliar que poderia haver interessados na compra da operação. Por isso, a instituição foi mantida sob um regime especial por até 120 dias.
A venda, no entanto, não se concretizou. Sem novos investidores e com a deterioração da situação financeira, o Banco Central concluiu que o banco não tinha condições de continuar operando, levando à decretação da liquidação extrajudicial.
O que vai acontecer com os CDBs do Will Bank?
Com a liquidação, os CDBs emitidos pela Will Financeira passam a ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitado o limite de R$ 250 mil por CPF. O fundo já iniciou nesta semana os pagamentos referentes aos CDBs do Banco Master e deve desembolsar cerca de R$ 40,6 bilhões para aproximadamente 800 mil investidores, no maior ressarcimento de sua história.
O Banco Central também determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira. A medida atinge, entre outros, Daniel Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto, Felipe Wallace Simonsen, além das holdings ligadas ao grupo Master. A EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda. foi nomeada como liquidante, a mesma responsável pelo processo do Banco Master.
Antes mesmo da publicação oficial da liquidação, a Mastercard deixou de aceitar transações com cartões emitidos pelo Will Bank, após operações realizadas por clientes não terem sido honradas junto a participantes do arranjo de pagamento. A bandeira também executou garantias relacionadas a dívidas do banco.
Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.