O alívio das tensões no Oriente Médio melhorou parte das perspectivas para a economia global, mas não foi suficiente para tornar a AZ Quest mais otimista com as ações brasileiras. Em sua carta mensal mais recente, a gestora afirma que reduziu o nível de risco de suas carteiras diante da combinação entre incertezas fiscais, ambiente pré-eleitoral e um cenário ainda desafiador para a renda variável no Brasil.
A avaliação ocorre após um mês marcado pelo acordo temporário de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Segundo a gestora, o movimento reduziu significativamente o risco geopolítico de curto prazo ao permitir a reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo, favorecendo a queda da commodity e aliviando parte das pressões inflacionárias observadas nos últimos meses.
“O acordo entre Irã e Estados Unidos, ao reduzir as pressões sobre os preços da energia, aumenta a probabilidade de continuidade do processo de flexibilização monetária”, escreveu a AZ Quest na carta.
Na avaliação da gestora, esse cenário foi reforçado por uma leitura mais favorável da inflação de junho e por indicadores de emprego compatíveis com uma desaceleração gradual da economia brasileira. Diante desse conjunto de fatores, a casa revisou sua projeção para o IPCA de 2026, reduzindo a estimativa de 5,5% para 5,3%, enquanto manteve a previsão de 4,5% para 2027.
Melhora no cenário não elimina cautela
Apesar da revisão das projeções para inflação e da expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização monetária, a AZ Quest afirma que optou por diminuir a exposição ao risco ao longo da última semana de junho.
“Diante da piora técnica dos mercados acionários e da manutenção de estímulos fiscais em um ambiente pré-eleitoral, optamos por reduzir o nível de risco da carteira ao longo da última semana do mês”, afirmou a gestora.
Segundo a casa, o cenário para as ações brasileiras continua exigindo cautela mesmo após a redução da taxa Selic para 14,25% ao ano. Embora a queda dos preços da energia tenha contribuído para melhorar as perspectivas para a inflação, fatores como as incertezas fiscais e a proximidade das eleições seguem limitando uma postura mais construtiva em relação ao Ibovespa.
“Permanecemos com estratégias de proteção, como a exposição por meio de opções de petróleo, que contribuem para preservar a flexibilidade do portfólio e permitem atravessar períodos de maior volatilidade com maior resiliência”, destacou.
EUA segue resilisente
No cenário internacional, a AZ Quest avalia que a economia dos Estados Unidos continua demonstrando resiliência, ainda que com sinais mais equilibrados entre seus diferentes setores.
Segundo a gestora, o mercado de trabalho permaneceu sólido em maio, enquanto os indicadores de inflação vieram próximos das expectativas. Nesse contexto, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros inalterada em junho, mas adotou um discurso cauteloso.
A casa destaca que as novas projeções da autoridade monetária americana passaram a contemplar mais uma alta de 0,25 ponto percentual neste ano, reforçando que o combate à inflação continua sendo a prioridade do banco central dos Estados Unidos.
Além disso, a comunicação do Fed indicou que as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos, preservando maior flexibilidade para a condução da política monetária.
Renda fixa segue favorecida
A carta também mostra que a volatilidade observada no mercado de juros abriu espaço para ajustes táticos nas carteiras de renda fixa da gestora.
Segundo a AZ Quest, a forte abertura das taxas futuras na primeira metade de junho pressionou o desempenho dos fundos em função da marcação a mercado. A gestora, porém, aproveitou esse movimento para ampliar posições em títulos que passaram a oferecer retornos mais atrativos.
Na segunda quinzena, a divulgação da ata do Copom e o alívio das tensões no Oriente Médio favoreceram a queda das taxas de juros e proporcionaram ganhos de capital para as carteiras.
“Apesar da melhora observada ao longo de junho, seguimos adotando uma postura cautelosa. Após capturarmos parte desse movimento de valorização, reduzimos a exposição da carteira, priorizando a manutenção da liquidez e preservando flexibilidade para aproveitar novas oportunidades de investimento que possam surgir nos próximos meses”, afirmou a gestora.
Para a AZ Quest, o ambiente continua exigindo seletividade. Embora a melhora do cenário externo tenha reduzido parte das pressões inflacionárias e reforçado a expectativa de continuidade dos cortes da Selic, a combinação entre riscos fiscais, eleições e volatilidade dos mercados segue justificando uma postura mais defensiva em relação às ações brasileiras.
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