Análise de investimentos deve ser clara quanto ao uso de IA, diz diretor da Apimec
O uso de inteligência artificial na análise de investimentos é válido e inevitável, mas exige transparência e responsabilidade. O recado foi dado por Marco Saravalle, diretor de Certificação e Educação da Apimec Brasil, nesta quinta-feira no FIIs Experience, evento da Suno em São Paulo.
Segundo Saravalle, a regulação atual já permite o uso de IA, mas com uma condição clara: qualquer relatório ou recomendação precisa ter um analista certificado por trás, validando as informações e assumindo responsabilidade pelo conteúdo.
“O recado mais importante é: usem estas ferramentas, mas é preciso deixar claro que aquela informação foi coletada de determinada base de dados e que tal ferramenta foi utilizada no processo.”
Diretrizes regulatórias devem ser aprovadas
O diretor também antecipou que as diretrizes regulatórias sobre o tema devem ser atualizadas em breve. Lançada em março do ano passado, a resolução vigente já mostra sinais de defasagem diante da velocidade com que a tecnologia evolui.
Para Saravalle, a pressão pelo uso de IA vem de dois lados. De um, os departamentos de análise estão cada vez menores. Equipes que antes tinham 30 profissionais hoje operam com 10, fazendo o mesmo trabalho. Do outro, a demanda só cresce: mais produtos, mais FIIs disponíveis no mercado brasileiro e clientes que exigem respostas cada vez mais rápidas.
Nesse cenário, o analista que for descuidado e divulgar dados errados vai perder credibilidade ao longo do tempo. Por isso, a orientação é clara: usar a inteligência artificial como aliada, mas sempre com um analista certificado checando as informações e assumindo responsabilidade pelo que assina.