A Airbus (AIRB34) mostrou que a demanda por aeronaves continua em alta. A fabricante europeia encerrou o segundo trimestre de 2026 com resultados acima das expectativas do mercado, impulsionada pelo aumento nas entregas de aviões comerciais e pelo forte desempenho da divisão de Defesa e Espaço.
A receita líquida da companhia alcançou € 20,5 bilhões entre abril e junho, alta de 28% na comparação anual e acima da projeção de € 19,9 bilhões do BTG Pactual. Já o Ebit ajustado somou € 2,4 bilhões, avanço de 54% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o lucro por ação chegou a € 2,10, mais que o dobro dos € 0,93 registrados um ano antes.
Airbus amplia entregas e bate recorde na carteira de pedidos
O principal destaque do trimestre foi a divisão de aviação comercial. A Airbus entregou 237 aeronaves entre abril e junho, um crescimento de 39% na comparação anual, o que impulsionou a receita da unidade para € 15,4 bilhões, alta de 37%.
Além do aumento nas entregas, a fabricante encerrou junho com uma carteira recorde de 9.222 aeronaves comerciais, ante 8.754 registradas um ano antes. Para o BTG, esse volume garante elevada visibilidade para o crescimento da companhia nos próximos anos, desde que a empresa consiga manter o ritmo de produção.
A divisão de Defesa e Espaço também contribuiu para o desempenho acima das expectativas. A receita do segmento cresceu 10%, para € 3,5 bilhões, enquanto a margem operacional ajustada avançou de 6% para 10%, refletindo uma execução considerada consistente pelo banco.
Produção segue acelerando
Durante a teleconferência de resultados, a administração da Airbus adotou um tom confiante sobre a evolução da produção. Segundo a companhia, a cadeia de suprimentos deixou de ser o principal gargalo para o aumento das entregas, enquanto problemas de qualidade que afetavam o programa A320 estão, em grande parte, solucionados.
A fabricante manteve o plano de elevar a produção da família A320 para entre 70 e 75 aeronaves por mês até o fim de 2027. Já o A220 deve atingir um ritmo de 13 unidades mensais em 2028, enquanto o A350 tem como meta chegar a 12 aeronaves por mês no mesmo ano.
Na avaliação do BTG, a empresa também demonstrou confiança na recuperação da divisão de Defesa e Espaço, embora tenha alertado que parte das margens mais elevadas observadas no primeiro semestre foi beneficiada por fatores específicos, que não devem necessariamente se repetir nos próximos trimestres.
BTG mantém visão positiva para a Airbus (AIRB34)
Apesar do forte resultado, a Airbus manteve praticamente inalterado seu guidance para 2026. A companhia segue esperando entregar cerca de 870 aeronaves neste ano, além de registrar Ebit ajustado de aproximadamente € 7,5 bilhões e fluxo de caixa livre de € 4,5 bilhões antes do financiamento a clientes.
Para cumprir essa meta, a fabricante ainda precisará entregar cerca de 520 aviões no segundo semestre. A administração afirmou que a geração de caixa tende a ser mais concentrada na segunda metade do ano, mas destacou que os números observados até agora seguem alinhados com as projeções anuais.
Após analisar os resultados, o BTG reiterou sua recomendação de compra para as ações da Airbus, com preço-alvo de € 240. Considerando a cotação de € 209,90 utilizada no relatório, o banco enxerga potencial de valorização de cerca de 14%.
Para os analistas, a combinação entre carteira recorde, aumento da produção e melhora gradual das margens deve continuar sustentando o crescimento da Airbus (AIRB34) nos próximos anos.
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