ISA Energia (ISAE4) vê lucro pressionado por despesas financeiras; entenda o resultado do 2T26
Nem sempre um balanço operacional sólido é suficiente para animar o mercado. A ISA Energia (ISAE4) apresentou resultados em linha com as expectativas no segundo trimestre de 2026, impulsionada pelo avanço de projetos de transmissão e pelo crescimento da receita. No entanto, o forte aumento das despesas financeiras reduziu o lucro líquido da companhia e acabou ofuscando o desempenho operacional.
Segundo relatório de analistas divulgado nesta semana, o principal impacto veio da maior inflação medida pelo IPCA no período, que elevou o custo da dívida da companhia, hoje majoritariamente indexada ao índice de preços.
Receita cresce com novos projetos
A ISA Energia registrou receita líquida regulatória de R$ 1,243 bilhão no segundo trimestre, avanço de 20,8% em relação ao mesmo período do ano passado e ligeiramente acima das estimativas dos analistas. O desempenho foi impulsionado pela entrada em operação dos projetos Água Vermelha, Riacho Grande e Piraquê, além do aumento da Receita Anual Permitida (RAP) decorrente de reforços na rede de transmissão.
Já o Ebitda alcançou R$ 967 milhões, alta de 22,5% na comparação anual, praticamente em linha com as projeções do mercado. A margem Ebitda ficou em 77,8%.
Apesar do crescimento operacional, o trimestre também foi marcado por aumento das despesas com pessoal, serviços e manutenção, refletindo maiores gastos com projetos e custos relacionados à operação da companhia.
O que pressionou o lucro da ISA Energia?
O principal destaque negativo do trimestre foi a linha financeira.
As despesas financeiras líquidas somaram R$ 639 milhões, bem acima do esperado pelos analistas. O aumento ocorreu principalmente por causa da variação monetária negativa de R$ 282 milhões, consequência da inflação mais elevada no período e da maior participação de dívidas indexadas ao IPCA na estrutura de capital da companhia. Atualmente, cerca de 67% da dívida da ISA Energia está atrelada ao índice de inflação, ante 56% um ano antes.
Como consequência, o lucro líquido ficou em R$ 174 milhões, resultado cerca de 32% inferior ao registrado no segundo trimestre de 2025 e abaixo das expectativas do mercado.
Ao fim de junho, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda atingiu 3,78 vezes, ligeiramente acima das 3,72 vezes observadas no trimestre anterior.
Processo com a Sefaz segue no radar
Outro tema que continua sendo acompanhado pelos investidores é a disputa envolvendo a Secretaria da Fazenda (Sefaz).
Segundo o relatório, uma nova audiência de mediação está marcada para 26 de agosto. Caso não haja acordo entre as partes, o processo voltará a tramitar na Justiça.
A companhia mantém registrados R$ 2,83 bilhões em valores a receber relacionados ao caso, além de uma provisão de R$ 516 milhões, ambos contabilizados pelo custo histórico, sem atualização pela inflação.
O que esperar para os próximos trimestres?
Apesar da pressão sobre o lucro, os analistas destacam que os fundamentos operacionais da empresa continuam sólidos.
A expectativa é que a ISA Energia siga se beneficiando da entrada em operação de novos projetos de transmissão, contribuindo para o crescimento gradual da Receita Anual Permitida (RAP) e do Ebitda nos próximos anos. As projeções apontam para um Ebitda de aproximadamente R$ 4,1 bilhões em 2026, com avanço para mais de R$ 5 bilhões em 2028.
Por outro lado, a evolução das despesas financeiras continuará sendo um dos principais fatores de atenção, especialmente enquanto parte relevante da dívida permanecer indexada ao IPCA.
Assim, embora o desempenho operacional da ISA Energia (ISAE4) tenha permanecido resiliente no segundo trimestre, a companhia ainda enfrenta desafios relacionados ao custo do endividamento, fator que deve continuar influenciando os resultados ao longo dos próximos trimestres.