Construtoras ganham respiro com inflação mais fraca; veja ações no radar
A inflação da construção tirou um pouco o pé do acelerador em julho, e isso pode ser uma boa notícia para as construtoras. O INCC-M, índice calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 0,62% no mês, abaixo do resultado de junho, enquanto o acumulado em 12 meses recuou para 6,40%.
Na avaliação do Safra, o dado reforça a percepção de um ambiente mais equilibrado para o setor imobiliário nos próximos meses, especialmente após a redução das pressões ligadas a commodities e energia.
O principal alívio veio dos materiais de construção, grupo que representa cerca de 55% do índice. Essa categoria subiu 0,42% em julho, em ritmo menor que o registrado no mês anterior. Em 12 meses, a inflação dos materiais caiu para 6,1%.
Materiais aliviam, mas mão de obra ainda pesa
A desaceleração foi mais clara nos materiais estruturais, que respondem por cerca de 28% do INCC-M. A inflação desse grupo ficou em 0,26% em julho, depois de altas de 0,73% em junho e 0,99% em maio.
Para o Safra, o movimento indica que os efeitos das tensões geopolíticas, que vinham pressionando os custos de insumos nos meses anteriores, estão perdendo força.
A mão de obra, por outro lado, ainda segue pressionando o indicador. O grupo, que representa cerca de 40% do INCC-M, avançou 0,93% em julho, refletindo efeitos residuais de reajustes salariais negociados no fim de maio em diferentes regiões do país.
Mesmo assim, o acumulado em 12 meses da mão de obra também mostrou leve desaceleração, encerrando julho em 7,06%. A expectativa é que esse impacto perca força ao longo do segundo semestre.
Entre os itens que mais subiram no mês, os destaques foram serviços ligados à mão de obra: carpinteiros, com alta de 1,36%; pedreiros, com avanço de 1,23%; e armadores, com alta de 1,13%.
Na ponta oposta, alguns materiais ficaram mais baratos. Dobradiças e fechaduras caíram 0,56%, enquanto o cimento Portland comum recuou 0,50%.
O que isso muda para as construtoras?
Para o Safra, a trajetória recente da inflação da construção é positiva para o setor imobiliário. A desaceleração dos custos de materiais pelo quarto mês consecutivo sugere que o pico das pressões inflacionárias pode ter ficado para trás.
Além disso, a estabilização do petróleo na faixa entre US$ 80 e US$ 85 por barril reduz o risco de novos aumentos relevantes nos preços de insumos usados pela construção civil.
A expectativa do banco é que a inflação da construção encerre 2026 em uma faixa próxima de 7% a 8%, patamar considerado compatível com premissas mais conservadoras já usadas pelas empresas em seus orçamentos.
Mesmo com preocupações recentes sobre uma possível desaceleração das vendas no Minha Casa, Minha Vida, o Safra avalia que parte desse receio parece exagerada. Segundo o banco, os números operacionais do segundo trimestre foram afetados por fatores temporários, como uma estratégia mais focada em preços e uma política mais restritiva de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal, que já foi normalizada.
Com custos mais previsíveis e ações do setor pressionadas recentemente, o Safra mantém visão positiva para as construtoras. Entre os nomes destacados pelo banco estão Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), pela combinação de fundamentos operacionais sólidos e níveis de avaliação considerados atrativos.
Para as construtoras, a desaceleração da inflação da construção melhora a visibilidade de margens e reduz o risco de novas pressões nos orçamentos, dois pontos acompanhados de perto pelo investidor em ações do setor imobiliário.