Adidas recua 32% na bolsa, mas sinaliza recuperação com recorde em Londres e 1T26 positivo

As ações da Adidas (ETR: ADS) acumulam queda superior a 15% nos últimos doze meses na Deutsche Börse Xetra, a bolsa de valores da Alemanha. Tarifas de importação dos Estados Unidos, incerteza cambial e demanda mais fraca no mercado norte-americano pesam sobre os papéis da fabricante alemã desde o início de 2025.

No dia 27 de abril, os papéis da Adidas avançaram mais de 1%. O percentual, apesar de não representar uma alta tão expressiva, teve um motivo bem definido, que não foi financeiro. Foi uma maratona.

No domingo (26), o queniano Sabastian Sawe cruzou a linha de chegada da Maratona de Londres em 1h59min30s, tornando-se o primeiro atleta a correr a distância em menos de duas horas em uma prova oficial. No pé: o Adizero Adios Pro Evo 3, da Adidas, avaliado em US$ 500 o par.

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O recorde anterior era de 2h00min35s, marcado pelo queniano Kelvin Kiptum na Maratona de Chicago, em outubro de 2023.

Disputa entre Adidas e Nike

O resultado da maratona reacendeu uma rivalidade direta com a Nike no segmento de tênis de alta performance. Por anos, a Nike dominou o circuito de maratonas com o Vaporfly, enquanto a Adidas tentava recuperar terreno.

O Adizero Adios Pro Evo 3 pesa 97 gramas, 30% menos que o modelo anterior, e usa espuma de nova geração com sola de placa de carbono.

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A Adidas afirma que o tênis melhora a economia de corrida em 1,6%. Na Maratona de Londres 2026, os três primeiros colocados usavam o modelo, incluindo a etíope Tigst Assefa, que quebrou seu próprio recorde mundial feminino.

O tênis foi lançado exclusivamente pelo aplicativo da Adidas e estava esgotado horas após a abertura das vendas.

Por que as ações da Adidas seguem em queda?

A valorização de 1,4% nas ações foi real, mas limitada. Os papéis da companhia acumulam queda de cerca de 15% somente neste ano. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação negativa ultrapassa 32%.

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As ações da Adidas estão sendo pressionadas principalmente pelas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos fabricados na Ásia. A Adidas produz a maior parte de seus calçados no Vietnã, na China e na Indonésia. A empresa estimou que as taxas comerciais podem ter impactado em cerca de 200 milhões de euros os custos no segundo semestre de 2025.

Apesar deste contexto, a companhia vem tentando aproveitar o mercado esportivo aquecido para surfar uma nova era de crescimento sustentável. No primeiro trimestre deste ano, a Adidas apresentou bons resultados, que ficaram acima das expectativas do mercado. As vendas totais ficaram em 6,6 bilhões de euros, acima das projeções de 6,3 bilhões dos analistas consultados pela Bloomberg. 

Outra aposta da gigante esportiva para os próximos trimestres é a Copa do Mundo de Futebol, que começa no dia 11 de junho e vai até 19 de julho, quando ocorre a final no MetLife Stadium, em East Rutherford, no estado de Nova Jersey. A Adidas é responsável por patrocinar algumas das principais seleções do torneio, como a atual campeã mundial Argentina, as gigantes Espanha e Alemanha e também a seleção do México, coanfitriã do campeonato. 

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Giovanna Oliveira

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