CACR11 cai 42% após suspender dividendos de abril
O fundo imobiliário CACR11 teve uma sessão de forte estresse nesta segunda-feira (4), com as cotas encerrando a R$ 47,01, queda de 42,2% frente a R$ 81,33 na quinta-feira (30). O tombo veio após a confirmação de que o FII CACR11 suspendeu os proventos referentes a abril, em comunicado divulgado pela gestora no fim da semana anterior.
A decisão acendeu o alerta no mercado, que já vinha cauteloso com o ambiente de crédito e incorporação. Segundo a Cartesia Capital, a retenção dos recursos busca reforçar a liquidez do fundo imobiliário CACR11 em meio a um cenário desafiador, garantindo fôlego para honrar compromissos e manter o ritmo dos projetos.
Fundo apurou R$ 1,24 por cota em caixa no mês
Apesar do corte na distribuição, a administradora informou que o fundo apurou R$ 1,24 por cota em caixa no mês. Mesmo assim, o fundo CACR11 optou por preservar o montante para assegurar o avanço das obras e proteger o valor das garantias vinculadas às operações, com o objetivo de preservar a recuperação do capital e os retornos esperados.
Motivos para a suspensão passam, também, pelo quadro macroeconômico. Juros elevados, maior endividamento das famílias, custos crescentes de insumos e mão de obra e um mercado mais lento comprimem margens e aumentam a necessidade de capital nos projetos, apontou a gestora do fundo imobiliário.
Entraves regulatórios e jurídicos
Além da pressão econômica, entraves regulatórios e jurídicos intensificaram o desafio. Houve atrasos na aprovação e no registro de alterações de projetos na Bahia e em São Paulo, além de demora no Habite-se na capital paulista por suspensões judiciais do TJ-SP com impacto municipal, afetando o cronograma financeiro originalmente previsto.
Os lançamentos dos empreendimentos Savoie, Viva e Real Parque, bem como o início do repasse do Station, foram postergados de dezembro de 2025 para maio de 2026. A Cartesia projeta que as vendas previstas a partir desse período ajudem a recompor o caixa e viabilizem o retorno dos dividendos do CACR11. A gestora ressalta que os ativos mantêm qualidade, com garantias reais adequadas e fundamentos de rentabilidade alinhados à estratégia do fundo imobiliário.