SNEL11 registra 4 milhões de volume médio e avança em ativos
O fundo imobiliário SNEL11 ampliou de forma consistente a liquidez e a base de investidores em fevereiro, sinalizando maior atenção do mercado à tese de geração distribuída de energia. No mês, o veículo somou cerca de R$ 70 milhões em negociações, com média diária próxima de R$ 4 milhões.
Segundo Guilherme Barbieri, Head de Infraestrutura da Suno Asset, o avanço não se limita ao número de investidores, mas também indica eficiência na negociação em bolsa. “O produto é muito líquido e permite uma boa possibilidade tanto para quem quer entrar quanto para quem quer sair”, afirmou em live no canal da Suno Asset.
A distribuição mensal permaneceu em R$ 0,10 por cota, com dividend yield anualizado próximo de 14,94%. O fundo segue com lucro acumulado e ativos em processo de maturação, mantendo a trajetória operacional prevista.
Parte do portfólio ainda passa por ramp-up comercial e conexão. A gestão destaca que, nesse estágio, podem ocorrer oscilações pontuais na geração de caixa no curto prazo, com expectativa de evolução gradual dos ativos à medida que a maturação avança.
SNEL11 reforça interesse pela geração distribuída
De acordo com Barbieri, a atuação do fundo se assemelha ao mercado imobiliário tradicional ao privilegiar a locação dos ativos. “O SNEL não vende energia. Ele aluga os ativos para consórcios ou consumidores que se beneficiam economicamente desses créditos”, explica.
No horizonte de médio prazo, a prioridade da gestão é expandir o portfólio com equilíbrio entre retorno e risco. “Nosso foco é continuar crescendo de forma saudável, buscando bons projetos que maximizem o retorno e reduzam riscos”, afirmou Barbieri. A estratégia busca ganhos de escala preservando a resiliência operacional dos projetos.
Na avaliação de Anderson Tonelli, responsável pela operação dos ativos do fundo, a exposição a riscos típicos de geração centralizada, como o curtailment, é menor no caso do veículo. “Como estamos próximos do centro de consumo, esse risco é significativamente reduzido”, afirmou.
Modelo de locação e riscos operacionais
A estrutura de contratos e a proximidade das unidades com o consumo tendem a suavizar variáveis operacionais do setor. Ao adotar um desenho semelhante ao de ativos imobiliários, com foco em locação, a gestão procura reduzir volatilidade e aprimorar a previsibilidade de caixa ao longo do tempo.
Com a base de 90 mil cotistas e a liquidez observada em fevereiro, a administração entende que o ativo ganhou profundidade de negociação, algo relevante para entrada e saída de investidores sem grandes impactos no preço. Esse ponto, segundo Barbieri, reforça o apelo do produto no mercado.
O desempenho recente ocorre em paralelo à consolidação dos projetos em maturação. À medida que novas plantas concluem etapas de conexão e atribuição comercial, a expectativa é de maior estabilidade na geração de receitas e reforço do fluxo para sustentar a política de distribuição.
Guidance e UFV Petrolina trazem previsibilidade
A perspectiva da gestão é manter um patamar consistente de proventos nos próximos meses, com guidance entre R$ 0,10 e R$ 0,11 por cota, condicionado à evolução operacional dos ativos em maturação. A manutenção de lucro acumulado também contribui para esse objetivo.
A reestruturação do projeto UFV Petrolina tem sido um vetor relevante para a melhoria operacional do fundo. A substituição de inquilinos em unidades consumidoras veio acompanhada da migração do modelo contratual para “take or pay”, reduzindo a exposição a riscos comerciais e aumentando a previsibilidade das receitas.
Com a conclusão da transferência de titularidade e o início dos novos contratos, a expectativa é de geração adicional de receita ao longo de 2026. Mesmo após o distrato com o inquilino anterior, o SNEL11 mantém valores a receber, que devem ser pagos ao longo dos próximos 26 meses, criando um colchão adicional de curto e médio prazo.
Esse conjunto de medidas — maior liquidez, base ampliada de investidores, contratos mais previsíveis e evolução operacional — consolida o atual estágio do SNEL11, enquanto a gestão segue focada em crescimento sustentável, seleção criteriosa de projetos e mitigação de riscos.