De olho em proteção? Saiba como investir em ouro na bolsa
Movimento tradicionalmente visto como um porto seguro em momentos de turbulência, investir em ouro voltou ao radar dos investidores, tendo em vista o atual cenário econômico e político no Brasil e no mundo.
Nos últimos anos, o metal tem sido impulsionado por fatores como inflação persistente, tensões geopolíticas e incertezas sobre o rumo das economias globais. Em 2025, os contratos futuros do ouro negociados em Nova York chegaram a ultrapassar US$ 4 mil por onça-troy, acumulando valorização expressiva ao longo do ano.
Segundo análise da XP, esse movimento reflete um ambiente internacional mais incerto, marcado por disputas comerciais, dúvidas sobre o crescimento global e expectativas em torno da política monetária dos Estados Unidos.
Uma das opções de investir em ouro é por meio dos ETFs, como o GLDX11.
Incertezas globais impulsionam demanda por ouro
Entre os fatores que sustentaram a alta do ouro estão medidas econômicas adotadas pelo governo americano, como tarifas comerciais contra parceiros internacionais, além de tensões geopolíticas e discussões fiscais no país.
Esse cenário aumentou a volatilidade dos mercados e estimulou a busca por ativos considerados mais defensivos.
Além disso, a desvalorização recente do dólar também contribuiu para impulsionar a demanda pelo metal. Como o ouro é precificado na moeda americana, um dólar mais fraco tende a torná-lo relativamente mais barato para investidores de outras regiões, ampliando o interesse global.
Bancos centrais também ampliam reservas
A procura por ouro não vem apenas de investidores privados. Bancos centrais ao redor do mundo também têm aumentado suas reservas no metal como forma de diversificar seus ativos internacionais.
Dados do World Gold Council citados pela XP mostram que 53 toneladas de ouro foram adicionadas às reservas globais em outubro de 2025, volume 36% maior do que no mês anterior.
O Banco Central do Brasil também participou desse movimento, elevando suas reservas para cerca de 161 toneladas, o equivalente a aproximadamente 6% do total de ativos internacionais do país.
Como investir em ouro
Apesar de ser considerado um ativo de proteção, existem diferentes formas de investir em ouro.
Entre as principais estão:
- ouro físico, adquirido em barras ou lâminas;
- contratos futuros negociados em bolsa;
- fundos de investimento com exposição ao metal;
- ETFs lastreados em ouro;
- ações de mineradoras.
Cada alternativa apresenta características próprias em relação à liquidez, custos e forma de exposição ao metal.
No caso do ouro físico, por exemplo, o investidor precisa lidar com questões de armazenamento e segurança. Já os contratos futuros exigem maior conhecimento do mercado e podem envolver custos adicionais relacionados ao carregamento do ativo até a data de vencimento.
ETF permite investir em ouro pela B3
Uma das formas mais simples de acessar o ouro atualmente é por meio de ETFs negociados na bolsa.
Entre os produtos disponíveis no Brasil está o GLDX11, ETF da Investo listado na B3 que replica o desempenho do fundo internacional VanEck Merk Gold Trust (OUNZ), negociado na Bolsa de Nova York.
O ETF americano possui cerca de US$ 3,26 bilhões sob gestão e busca oferecer aos investidores exposição ao preço do ouro de forma prática, sem a necessidade de adquirir o metal físico.
No Brasil, o GLDX11 acompanha o Solactive Gold Spot Index, que reflete o preço à vista do ouro no mercado internacional. Como o ativo é dolarizado, o desempenho do ETF também incorpora a variação do câmbio entre o real e o dólar.
O fundo possui taxa global de 0,30% ao ano, e as cotas são negociadas diretamente na B3, permitindo que investidores tenham exposição ao metal por meio de um único ativo em bolsa.
De acordo com a gestora, o ETF de ouro chegou a registrar alta de 5,8% no mês, impulsionado pela valorização do metal no mercado internacional.
A casa complementa afirmando que a commodity tem se beneficiado de um ambiente internacional mais volátil, marcado por tensões geopolíticas e dúvidas sobre o cenário econômico global, o que torna o momento propenso para investir em ouro.