Ícone do site Suno Notícias

Ouro dispara e joias encarecem: como a Vivara (VIVA3) protege margens

Vivara (VIVA3)

Vivara. Foto: Divulgação

Se no mercado financeiro nem tudo que reluz é ouro, no setor de joias a lógica também se aplica ao preço. Com a disparada das commodities usadas na produção, o custo das peças vem subindo e pressionando o setor. Ainda assim, a Vivara (VIVA3) tem conseguido preservar margens e manter disciplina de preços, segundo análise recente do BTG Pactual. No relatório “Jewelry Index – all that glitters has a price”, os analistas resumem a dinâmica atual do setor: nem tudo que reluz tem preço baixo.

O estudo, elaborado pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, analisa milhares de produtos das marcas Vivara, Life e Pandora para acompanhar a dinâmica de preços em tempo quase real. A ideia é entender como cada empresa reage à inflação dos metais preciosos e como isso se traduz em estratégia de precificação e posicionamento competitivo.

Segundo o relatório, acompanhar o preço de produtos em nível de SKU permite observar como as empresas do setor estão lidando com o aumento dos custos de matérias-primas, protegendo margens e mantendo disciplina comercial.

Vivara mantém posicionamento premium no mercado

A análise reforça que a Vivara (VIVA3) continua claramente posicionada no segmento premium do mercado brasileiro de joias. O levantamento do BTG indica que o preço médio dos produtos da marca gira em torno de R$ 7 mil, enquanto na marca Life, voltada a um público mais acessível, a média é de cerca de R$ 595.

A diferença também aparece na mediana de preços. Enquanto a Vivara registra valores próximos de R$ 4,2 mil, a Life apresenta cerca de R$ 530, evidenciando uma segmentação clara entre as duas bandeiras do grupo.

Essa estratégia também se reflete no portfólio de produtos. Na Vivara, cerca de 74% dos itens são joias de ouro maciço, enquanto na Life predominam peças de prata, que representam aproximadamente 83% do sortimento.

Outro ponto destacado pelos analistas é o nível de descontos. Apenas 6% dos produtos da Vivara aparecem com desconto, contra 26% na Life, reforçando a disciplina de preços da marca principal e a preservação do posicionamento premium.

Ouro e prata pressionam custos do setor

O pano de fundo para essa dinâmica é o forte ciclo de alta das commodities utilizadas na fabricação de joias.

De acordo com o relatório, o ouro subiu cerca de 20% no acumulado do ano e aproximadamente 77% em 12 meses, enquanto a prata avançou cerca de 11% no ano e cerca de 160% no mesmo período.

Esse movimento tem sido impulsionado por fatores como tensões geopolíticas, incertezas comerciais e demanda contínua de bancos centrais, que reforçam o papel do ouro como reserva de valor em momentos de instabilidade global.

Nesse ambiente, a capacidade das empresas de ajustar preços sem comprometer o volume de vendas se torna um diferencial competitivo importante.

Valuation e perspectiva para a Vivara (VIVA3)

Mesmo com o cenário de custos mais elevados, o BTG avalia que a estratégia da companhia continua consistente. Para os analistas, a preservação do teto de preços premium e a disciplina promocional reforçam o valor da marca Vivara e sua capacidade de manter poder de precificação no mercado brasileiro.

O banco também aponta que o mercado deve acompanhar de perto a evolução das margens brutas e a normalização do capital de giro nos próximos trimestres.

Atualmente, a Vivara (VIVA3) negocia a cerca de 11 vezes o lucro estimado para 2026, nível que, na avaliação do BTG, ainda pode oferecer potencial de valorização caso a companhia mantenha disciplina de preços, otimize estoques e preserve a resiliência das vendas em mesmas lojas.

Sair da versão mobile