O produtor brasileiro acelerou as vendas de milho da segunda safra na segunda quinzena de julho, apesar de os preços internos terem permanecido praticamente estáveis ao longo da semana.
No mercado externo, o milho fechou em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), passando de US$ 4,41 por bushel para US$ 4,64 na quinta-feira (23). O movimento foi sustentado pelo clima seco nos Estados Unidos e pelos efeitos indiretos das guerras na Europa e no Oriente Médio, que já vinham pressionando o preço do trigo.
Segundo a CEEMA, a saca de milho manteve-se em R$ 58,00 nas principais praças do Rio Grande do Sul e oscilou entre R$ 44,00 e R$ 62,50 nas demais regiões do país — níveis próximos aos da semana anterior. Ainda assim, o volume negociado superou o observado no mesmo período de 2024, comportamento geralmente ligado à necessidade de caixa, ao avanço da colheita ou à leitura de que o preço doméstico pode não acompanhar a alta externa no curto prazo.
SNFZ11 e o avanço das vendas de milho
O ambiente de colheita mais lenta e de vendas internas mais rápidas tem relação direta com as fazendas do Fiagro, que detém propriedades em Gaúcha do Norte (MT). Mato Grosso concentra cerca de 40% a 45% da produção nacional de milho safrinha, mantendo-se como principal referência do ciclo atual.
Nas áreas do fundo, o modelo de produção combina soja entre outubro e fevereiro com milho ou algodão na safrinha até maio, além da possibilidade de uma terceira safra de inverno com culturas de ciclo curto. A diversificação de culturas e de janelas de comercialização é apontada pela gestora como ferramenta de mitigação de risco em semanas em que o produtor avalia se vende com preço estável e colheita atrasada ou se aguarda uma valorização ainda incerta.
O Imea projeta produção de 51,72 milhões de toneladas de milho na safrinha 2025/26 em Mato Grosso, reforçando a relevância do estado e das regiões onde o Fiagro está posicionado.
Colheita avança abaixo da média histórica
A colheita da segunda safra segue mais lenta que no ano passado. Até 16 de julho, o Centro-Sul havia colhido 49% da área, ante 55% no mesmo intervalo de 2025, conforme dados da CEEMA. Em linha, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aferiu 49,8% de colheita nacional até 17 de julho, abaixo da média histórica de 56,7% para o período.
Mato Grosso lidera o ritmo, com 79,8% da área colhida, seguido por Tocantins (73%), Maranhão (70%) e Piauí (58%). Esse compasso confirma a percepção de que parte dos produtores segue vendendo para fazer caixa e abrir espaço nos armazéns, mesmo sem uma reação mais forte dos preços internos.
Exportações perdem ritmo em julho
Nas exportações, o Brasil embarcou 786.705 toneladas de milho nos 13 primeiros dias úteis de julho, segundo a Secex, em dados compilados pela CEEMA. A média diária ficou 42,8% abaixo da registrada em todo o mês de julho do ano passado.
Em contrapartida, o preço médio por tonelada exportada avançou 4,5%, saindo de US$ 205,20 em 2025 para US$ 214,40 neste ano, refletindo a sustentação das cotações externas diante do clima nos Estados Unidos e das tensões geopolíticas.
Fiagro expande portfólio em Mato Grosso
O fundo está em fase de expansão. Conduz sua terceira emissão de cotas, com potencial de captar cerca de R$ 120 milhões — até 12,08 milhões de novas cotas ao preço de R$ 10,20 cada. De acordo com a Suno Asset, gestora do Fiagro, os recursos serão destinados à aquisição de novas áreas rurais em Mato Grosso.
A base de cotistas já supera 15 mil investidores, e a última distribuição de proventos anunciada foi de R$ 0,10 por cota. O quadro atual — vendas aceleradas mesmo com preços estáveis, colheita atrasada frente ao ano anterior e Mato Grosso com a maior fatia da produção — delineia o ambiente operacional do fundo, que busca atravessar ciclos de preço e clima menos previsíveis com diversificação de culturas e presença nas principais regiões produtoras.
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