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Vale (VALE3) ganha novo fôlego no BTG após tombo da ação; cobre vira peça-chave da tese

Vale (Foto: Reprodução)

Vale (Foto: Reprodução)

A Vale (VALE3) voltou ao radar positivo do BTG Pactual após a forte correção das ações nos últimos trimestres. Em novo relatório, o banco elevou o preço-alvo dos ADRs da mineradora de US$ 15 para US$ 18 e reforçou recomendação de compra, argumentando que o mercado passou a subestimar a capacidade de execução da companhia e o potencial de crescimento da divisão de cobre.

O relatório, intitulado “Less Noise, More Delivery”, aponta que a Vale entrou em uma nova fase de percepção pelo mercado, marcada por maior confiança operacional, riscos de segurança considerados “imateriais”, retorno consistente de caixa e uma possível reprecificação dos múltiplos da companhia.

Mesmo após uma valorização acumulada de cerca de 20% no ano, o BTG avalia que a mineradora segue negociando a patamares atrativos frente às concorrentes globais, especialmente australianas.

BTG vê cobre destravando valor na Vale

O principal ponto novo da tese está no cobre.

Segundo o BTG, a gestão da Vale avançou significativamente na execução e no desenvolvimento de projetos ligados ao metal, o que levou o banco a revisar suas projeções de produção de longo prazo de cerca de 380 mil toneladas para aproximadamente 500 mil toneladas anuais.

Até então, parte relevante do mercado atribuía pouco valor ao crescimento dessa divisão, justamente por dúvidas sobre execução e retorno dos projetos. Agora, o banco afirma que esse cenário mudou.

“A administração aumentou significativamente a visibilidade sobre a base de ativos e vem entregando execução”, destaca o relatório.

O BTG também afirma que projetos como Alemão, Salobo e Bacaba passaram a ter peso mais relevante na avaliação da companhia, com potencial de adicionar perto de 10% ao valor de mercado da Vale ao longo do tempo.

Além disso, o banco avalia que uma eventual abertura de capital da divisão de metais básicos (VBM) continua sendo uma opcionalidade relevante, embora não seja prioridade neste momento.

Minério forte e custos pressionados entram na conta

Outro ponto central do relatório é a visão construtiva para o minério de ferro.

O BTG segue projetando preços resilientes próximos de US$ 100 por tonelada, sustentados por fundamentos considerados sólidos na China, além dos impactos recentes da inflação de frete e petróleo após o conflito envolvendo o Irã.

Segundo o banco, parte importante do mercado exagerou na leitura negativa sobre a pressão de custos da Vale após os últimos resultados trimestrais.

O relatório destaca que a alta recente dos custos foi causada principalmente por fatores externos, como petróleo, câmbio e frete, e não por deterioração estrutural das operações. “A inflação de custos é um fenômeno de toda a indústria, e não algo específico da Vale”, afirma o BTG.

Ainda assim, o banco reconhece que, caso os preços do petróleo permaneçam elevados ao longo de todo o ano, pode haver um ajuste moderado no topo do guidance de custo caixa C1 para 2026.

Dividendos e recompra seguem no centro da tese

O BTG também reforça a visão positiva sobre geração de caixa e retorno ao acionista.

Segundo o relatório, a administração segue focada em reduzir a dívida líquida expandida para próximo de US$ 15 bilhões, o que poderia abrir espaço para acelerar recompras de ações e até distribuição extraordinária de dividendos.

Mesmo após a recuperação recente das ações, o banco calcula que a Vale ainda negocia a cerca de 4,4 vezes EV/Ebitda e com dividend yield próximo de 9%, patamar considerado atrativo frente aos pares internacionais.

“Ainda vemos espaço maior para revisões positivas de lucro do que para cortes nas estimativas”, destaca o BTG sobre a Vale (VALE3), afirmando que os preços das commodities seguem acima do consenso do mercado.

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