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Por que as ações de utilities costumam cair menos nas crises? Veja como investir no setor

Utilities

Foto: Pixabay

Quando a economia desacelera, empresas de diversos setores sentem a queda no consumo e nos investimentos. Para as companhias de energia elétrica, saneamento e gás, porém, o impacto tende a ser diferente: mesmo em períodos de crise, o setor de utilities segue tendo demanda.

Essa demanda relativamente estável é uma das características que ajudam a explicar o perfil mais defensivo das chamadas utilities na Bolsa. O setor também conta, em muitos casos, com receitas reguladas, contratos de longo prazo e mecanismos de reajuste de tarifas, fatores que podem tornar seus fluxos de caixa mais previsíveis.

O resultado aparece no comportamento histórico do segmento. Entre 2006 e 2026, R$ 1 investido no Índice Utilidade Pública (UTIL) da B3 teria se transformado em aproximadamente R$ 18. Ao longo desse período, que inclui crises como a de 2008 e a queda provocada pela pandemia, o setor também apresentou recuos menos intensos que o mercado acionário em momentos de estresse.

Por que utilities resistem melhor aos ciclos econômicos?

A explicação começa pelo tipo de negócio. Uma empresa de tecnologia, uma varejista ou uma companhia industrial pode ter sua receita diretamente afetada quando consumidores adiam compras ou empresas reduzem investimentos. No caso das utilities, parte relevante da demanda está ligada a serviços dos quais a economia não pode simplesmente abrir mão.

Uma família pode reduzir o consumo de determinados produtos durante uma recessão, mas continuará precisando de energia e água. Da mesma forma, empresas podem cortar investimentos ou despesas, mas continuam utilizando infraestrutura de energia, saneamento e gás para operar.

Há ainda outro componente importante: a previsibilidade das receitas. Empresas de utilities frequentemente operam sob contratos de longo prazo ou dentro de estruturas regulatórias que estabelecem mecanismos para a remuneração dos serviços e o reajuste das tarifas.

Em alguns casos, esses reajustes incorporam a inflação, ajudando a preservar o valor das receitas ao longo do tempo. Essa combinação de demanda relativamente resiliente e maior previsibilidade pode contribuir para que os resultados das empresas oscilem menos do que os de companhias mais dependentes do ciclo econômico.

Como investir?

O investidor interessado no setor pode comprar individualmente ações como Axia Energia (AXIA3), Copel (CPLE3), Copasa (CSMG3) e outras. Essa alternativa, porém, exige uma análise específica de cada companhia e deixa o resultado mais dependente das características de determinados negócios.

Uma alternativa é buscar exposição ao setor por meio de um ETF. É o caso do UTLL11, da Investo, que replica o Índice Utilidade Pública da B3.

O índice reúne empresas representativas e com maior negociação nos segmentos de energia elétrica, saneamento e gás. Dessa forma, uma única cota do ETF oferece exposição a diferentes companhias do setor, em vez de concentrar o investimento em uma única ação.

Essa diversificação é particularmente relevante quando se trata de utilities porque os riscos não são iguais entre as empresas. Uma companhia pode estar mais exposta à regulação, outra às condições hidrológicas, outra ao processo de concessão ou à necessidade de investimentos em infraestrutura.

Ao acompanhar o índice, o UTLL11 busca reproduzir o desempenho do conjunto de empresas selecionadas pelas regras do indicador, permitindo ao investidor acessar a tese setorial sem precisar montar individualmente uma carteira de utilities.

O desempenho do UTLL11 também reflete a força recente do segmento. Segundo dados divulgados em fevereiro de 2026, o ETF acumulava valorização de cerca de 20% desde o lançamento, sendo aproximadamente 8% apenas em 2026.

Utilities são defensivas, mas não estão livres de riscos

A característica mais resiliente das utilities não deve ser confundida com ausência de risco. As empresas do setor podem ser afetadas por decisões regulatórias, mudanças nas tarifas, necessidade de investimentos, condições climáticas, endividamento e movimentos das taxas de juros.

Além disso, o próprio mercado acionário antecipa expectativas. Uma companhia de utilities pode apresentar resultados operacionais estáveis e, ainda assim, ter suas ações pressionadas caso os investidores passem a exigir uma remuneração maior para assumir o risco.

Por isso, a tese do setor de utilities está menos em procurar ações que nunca caiam e mais em buscar empresas cujos negócios tenham características capazes de atravessar diferentes momentos do ciclo econômico.

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