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Usiminas (USIM5) surpreende no 2T26, mas acende alerta para os próximos meses

Usiminas (USIM5). Foto: Unsplash.

Usiminas (USIM5). Foto: Unsplash.

A Usiminas (USIM5) conseguiu colocar mais aço no resultado, mas o minério pode tirar parte desse brilho no próximo trimestre. A companhia apresentou números operacionais acima das expectativas do BB Investimentos no 2T26, impulsionados pela recuperação da siderurgia. O alerta ficou para a mineração, que deve enfrentar menor volume de vendas e fretes marítimos ainda elevados.

O Ebitda ajustado da Usiminas (USIM5) alcançou R$ 761 milhões, alta de 17% ante o primeiro trimestre e de 86% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada avançou para 12,4%, contra 11,1% no 1T26 e 6,2% um ano antes.

A receita líquida somou R$ 6,13 bilhões, crescimento de 4% na comparação trimestral, mas queda de 7% frente ao 2T25. Já o lucro líquido chegou a R$ 428 milhões, 52% abaixo do trimestre anterior, que havia sido favorecido pelo reconhecimento de créditos tributários, mas 236% superior ao registrado um ano antes.

Resultado da Usiminas melhora com recuperação do aço

A siderurgia foi a principal responsável pela evolução operacional. O Ebitda ajustado da divisão alcançou R$ 688 milhões, alta de 26% na comparação trimestral, enquanto a margem avançou de 10% para 13%.

Mesmo com uma redução de 2% no volume vendido, para 989 mil toneladas, a receita líquida por tonelada cresceu cerca de 5%. O avanço refletiu preços e mix de produtos mais favoráveis, que compensaram o menor volume comercializado.

Para o terceiro trimestre, a Usiminas espera aumento nas vendas de aço no mercado interno, manutenção de um mix semelhante ao do 2T26 e reajustes de preços para clientes industriais.

A companhia, porém, também prevê aumento dos custos de carvão, coque e placas. Parte dessa pressão deve ser compensada pelos ganhos de eficiência obtidos com o projeto de injeção de carvão pulverizado no Alto-Forno 3 da usina de Ipatinga.

Segundo a administração, a expectativa é de estabilidade no resultado operacional da siderurgia no próximo trimestre, desconsiderando efeitos extraordinários anteriores.

Minério de ferro pode frear o próximo trimestre

Na mineração, as vendas alcançaram 2,47 milhões de toneladas, crescimento de 27% frente ao 1T26. Apesar do volume maior, o Ebitda ajustado caiu de R$ 111 milhões para R$ 71 milhões, enquanto a margem recuou de 14% para 8%.

O desempenho foi pressionado principalmente pelo aumento do frete marítimo. Segundo a Usiminas, o frete da rota C3 representa atualmente cerca de 33% do preço internacional de referência do minério de ferro, aproximadamente 10 pontos percentuais acima da média histórica recente.

Para o terceiro trimestre, a empresa projeta redução nas vendas de minério e manutenção dos custos logísticos em níveis elevados. Essa combinação levou o BB Investimentos a prever um resultado mais fraco para a divisão, limitando o espaço para novos avanços nos números consolidados.

Guidance de investimentos é reduzido

A Usiminas também revisou para baixo sua previsão de investimentos em 2026. O intervalo estimado de capex passou de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão para R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão.

No 2T26, os investimentos somaram R$ 323 milhões, alta de 13% ante o trimestre anterior. Mesmo assim, a companhia encerrou junho com fluxo de caixa livre positivo de R$ 35 milhões e caixa líquido de R$ 499 milhões, ou seja, recursos em caixa superiores à dívida bruta.

Assim, o resultado da Usiminas mostrou uma siderurgia mais rentável e uma posição financeira confortável. Para os próximos meses, porém, o investidor deve observar se os preços maiores do aço conseguirão compensar a alta dos custos e se a pressão dos fretes sobre a mineração limitará o desempenho da Usiminas (USIM5).

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