A Suzano (SUZB3) entregou um resultado mais fraco no 1T26, com queda de rentabilidade e pressão de custos, mas o valuation comprimido reacendeu uma pergunta no mercado: o pior já está no preço?
A companhia reportou receita líquida de R$ 10,9 bilhões no trimestre, queda de 5% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado somou R$ 4,6 bilhões, recuo de 6% em relação ao 1T25 e de 18% frente ao trimestre anterior. Na avaliação do BTG Pactual, o desempenho veio “fraco” e cerca de 5% abaixo do consenso, refletindo principalmente o impacto da valorização do real, da sazonalidade mais fraca e de preços de celulose ainda deprimidos no período.
Preço da celulose sobe, mas câmbio e custos anulam ganho
Apesar de um ambiente mais favorável para preços internacionais, a Suzano não conseguiu capturar totalmente esse movimento no resultado.
O preço médio da celulose exportada atingiu US$ 562 por tonelada, com leve alta anual, refletindo reajustes implementados ao longo dos últimos meses. Ainda assim, o efeito positivo foi praticamente neutralizado pela valorização do real, que reduziu a receita em moeda local.
Além disso, a sazonalidade pesou nos volumes. As vendas de celulose totalizaram 2,835 milhões de toneladas, queda de 17% na comparação trimestral, ainda que com avanço de 7% na base anual.
Do lado de custos, o cenário também trouxe pressão. O custo caixa de produção sem paradas ficou em R$ 802 por tonelada, alta de 3% no trimestre, refletindo maior consumo de insumos, energia e menor diluição de custos fixos.
Geração de caixa e alavancagem entram no radar
Se por um lado o operacional veio mais fraco, por outro, o que mais chamou atenção dos analistas foi o desempenho financeiro.
Segundo o BTG Pactual, a Suzano apresentou queima de caixa no trimestre, impactada por um nível elevado de investimentos. O capex chegou a cerca de R$ 3 bilhões no período, pressionando o fluxo de caixa livre e limitando o espaço para retornos ao acionista no curto prazo.
A alavancagem permaneceu relativamente estável, em torno de 3,2 vezes dívida líquida sobre EBITDA, ainda considerada elevada para padrões históricos da companhia.
Na leitura dos analistas do banco, três pontos pesaram no sentimento do mercado: custos acima do esperado, geração de caixa negativa e ausência de gatilhos claros para destravar valor no curto prazo.
“A Suzano reportou um conjunto de resultados fraco, que não deve ajudar a reverter o sentimento negativo recente com a ação”, destacam os analistas do BTG Pactual.
Suzano segue barata, mas sem gatilhos no curto prazo
Mesmo com o resultado pressionado, a percepção sobre o valuation segue como um dos principais pontos de debate.
A Suzano negocia hoje em múltiplos considerados baixos historicamente, próximos a 5 vezes EV/EBITDA, o que, em tese, limita o espaço para quedas mais acentuadas.
Ainda assim, o cenário para a celulose segue desafiador no curto prazo, com fundamentos de oferta e demanda ainda incertos, além do impacto do câmbio e dos custos.
Os analistas do BTG reconhecem a qualidade estrutural da companhia, mas destacam a dificuldade de encontrar catalisadores relevantes neste momento.
“Ainda vemos a Suzano como uma vencedora estrutural no setor, com liderança em custos e escala, mas a falta de gatilhos no curto prazo e um cenário desafiador para a celulose seguem limitando o apetite do investidor neste momento”, concluem os analistas do BTG Pactual.
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