Amanhã (29) é dia de Super Quarta. Isso significa que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro vão se reunir para decidir o futuro dos juros nos dois países.
O consenso de mercado indica que as decisões devem seguir um roteiro já amplamente precificado, com manutenção das taxas de juros nos EUA e um novo corte moderado no Brasil, de 0,25 ponto percentual. Ainda assim, o foco dos investidores estará concentrado no tom das comunicações e nas sinalizações para os próximos passos da política monetária.
No cenário internacional, a ferramenta FedWatch, da CME Group, aponta que 100% do mercado aposta na manutenção dos juros americanos. A avaliação é reforçada pelo ambiente de inflação pressionada, especialmente pelos preços de energia, em meio ao impasse no Oriente Médio e ao petróleo Brent próximo de US$ 100.
“Nossa expectativa é que o banco central norte-americano (FED) mantenha inalterada a taxa de juros em meio à alta recente da inflação puxada pelos preços de energia, mercado de trabalho sem novidades e o conflito no Oriente Médio sem definição”, diz o Banco Daycoval em relatório.
Para Cristiano Luersen, sócio da Wiser Investimentos, o desafio do Fed vai além da decisão em si. “Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) terá o desafio de esclarecer se os juros permanecerão elevados por mais tempo para conter os custos de energia e logística, pressionados por conflitos internacionais”, afirma.
Na Super Quarta, Copom deve cortar juros novamente
No Brasil, a expectativa é mais consensual. O Copom deve realizar um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa para 14,50% ao ano. O movimento é esperado por 33 das 37 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast e também é o cenário-base de casas como o Banco Daycoval.
A leitura é de que, apesar do corte da taxa Selic, o ambiente exige cautela. A persistência do petróleo em níveis elevados e a pressão inflacionária devem limitar o espaço para um ciclo mais agressivo de afrouxamento monetário.
De acordo com Robson Casagrande, sócio da GT Capital, a decisão já está nos preços, mas o comunicado será determinante. “No Copom, o corte de 0,25 ponto percentual já está precificado. O que o mercado vai dissecar é o comunicado, ou seja, se o BC vai sinalizar junho ou vai preservar flexibilidade”, afirma.
O especialista ressalta ainda que o cenário inflacionário segue desafiador. “Com IPCA projetado em 4,8% e expectativas desancoradas, a tendência é de um comunicado cauteloso, sem guidance explícito para a próxima reunião”, diz.
Na primeira reunião do ano, em janeiro, o Banco Central manteve os juros inalterados. Já em março, houve o primeiro corte em quase dois anos, com a Selic sendo reduzida de 15% para 14,75% ao ano.
Notícias Relacionadas
