Depois de meses de expectativa, a Stone (STOC31) finalmente anunciou a distribuição dos recursos da venda da Linx — e o mercado recebeu um dos maiores payouts recentes da bolsa global. O pagamento será feito integralmente via dividendos, com yield estimado em cerca de 17%, um evento que, na prática, escancara o valuation da companhia.
Apesar disso, a reação das ações foi tímida, o que levanta uma dúvida incômoda para investidores: o papel está barato demais ou o mercado ainda não confia na execução?
Segundo o BTG Pactual, “o resultado foi melhor do que o esperado: o pagamento será feito inteiramente via dividendos […] gerando um yield de 17%”, algo que vinha sendo desejado pelos investidores .
Dividendos elevados evidenciam valor, mas não resolvem o principal problema
A distribuição deve ocorrer com data ex-dividendos a partir de 24 de abril, e tende a melhorar indicadores como retorno sobre patrimônio (ROE) e destacar a forte geração de caixa da companhia.
Na prática, o movimento reforça a tese de que a Stone negocia a múltiplos descontados. Ainda assim, o BTG levanta um ponto importante: mesmo com o anúncio, o papel subiu apenas 2% no dia, o que pode indicar ceticismo do mercado.
STOC31 enfrenta trimestre fraco e pressão na qualidade de crédito
O contraponto vem do operacional. O banco já projeta um primeiro trimestre de 2026 fraco, com volume de pagamentos praticamente estável na comparação anual.
As receitas devem crescer cerca de 5% na base anual, mas com queda sequencial, refletindo sazonalidade e menor dinamismo no negócio de adquirência .
O principal ponto de atenção está na qualidade do crédito. A empresa deve enfrentar aumento de inadimplência, com impacto direto nas provisões. O custo de risco pode superar os níveis do quarto trimestre, pressionando resultados.
Execução segue como principal desafio
Outro fator que pesa sobre a tese é a dificuldade de recuperação operacional. Segundo o BTG, não há um único problema a ser resolvido, mas sim uma combinação de desafios em diferentes frentes.
A companhia vem trabalhando para melhorar execução, reengajar clientes e ajustar sua estrutura de custos, mas o processo tende a ser gradual.
Mesmo assim, a avaliação segue atrativa. A Stone negocia abaixo de 6 vezes lucro, o que, em tese, indicaria forte desconto frente a pares e até bancos tradicionais .
No fim, o próprio banco resume o dilema: “o caso de valuation é claro, mas a execução ainda precisa melhorar”, o que mantém a Stone (STOC31) como uma história em que o potencial existe — mas ainda depende de entrega para se materializar .
Notícias Relacionadas
