O S&P 500 chegou ao fim de junho em patamar elevado, com valuation acima da média histórica e forte presença de empresas ligadas à inteligência artificial. Mas um dado do Guide to the Markets, do J.P. Morgan Asset Management, mostra uma mudança importante para o investidor: em 2026, a alta da Bolsa americana não está sendo puxada apenas pelas chamadas Sete Magníficas.
Segundo o relatório, o S&P 500 acumulava valorização de 10% no ano até 30 de junho. Já o S&P 493, que exclui as sete gigantes de tecnologia, subia 15% no mesmo período. Enquanto isso, as Sete Magníficas tinham desempenho praticamente estável no ano.
A mudança contrasta com os anos anteriores. Em 2023, as Sete Magníficas responderam por 63% do retorno do índice. Em 2024, a fatia foi de 55%. Em 2025, de 46%. Em 2026, até junho, a contribuição caiu para apenas 1%.
S&P 500 segue caro no radar dos investidores
Apesar da alta mais espalhada, o mercado americano continua negociando em múltiplos elevados. O S&P 500 estava em 7.499 pontos em 30 de junho, com preço sobre lucro projetado de 20,4 vezes, acima da média de 30 anos, de 17,2 vezes.
Outras métricas também mostram um mercado mais esticado. O dividend yield do índice estava em 1,4%, abaixo da média histórica de 2%. Já o múltiplo de Shiller, conhecido como CAPE, estava em 40,7 vezes, contra média de 28,8 vezes.
Na prática, isso significa que o investidor paga mais caro por cada unidade de lucro esperada das empresas americanas. O relatório também mostra que, em horizontes mais longos, múltiplos mais altos tendem a estar associados a retornos futuros menores, embora não determinem sozinhos o desempenho da Bolsa no curto prazo.
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IA ainda domina a Bolsa americana
Mesmo com a alta mais ampla em 2026, a inteligência artificial segue como eixo central da Bolsa americana. Segundo o J.P. Morgan, setores ligados à IA representam 51,5% do S&P 500, considerando hyperscalers, semicondutores, hardware, energia e software.
Entre esses grupos, semicondutores aparecem como um dos principais destaques. O segmento representa 19,2% do índice e tem crescimento esperado de lucros de 103% em 2026. Já os hyperscalers, grupo que reúne grandes plataformas de computação em nuvem e tecnologia, respondem por 16,1% do S&P 500.
A concentração também continua elevada. As dez maiores empresas do índice representavam 37,9% do valor de mercado do S&P 500 em 30 de junho, enquanto respondiam por 33,7% dos lucros dos últimos 12 meses.
Lucros ajudam, mas concentração preocupa
O ponto positivo está nos resultados. O J.P. Morgan mostra que o lucro por ação do S&P 500 deve crescer 23,9% em 2026, bem acima da média de 7,6% observada entre 2001 e 2025. Para 2026, a estimativa de lucro por ação é de US$ 340, avançando para US$ 398 em 2027 e US$ 456 em 2028.
As margens também seguem em patamar elevado. A margem de lucro do S&P 500 projetada para o segundo trimestre de 2026 é de 15,1%, nível historicamente alto para o índice.
No fim, o retrato do S&P 500 é de um mercado com duas mensagens ao mesmo tempo: a Bolsa americana segue cara e concentrada, mas a alta de 2026 mostra sinais de maior participação de empresas fora das Sete Magníficas, o que pode tornar a composição dos ganhos mais saudável para o investidor.
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