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Prefixados, CDI, IPCA+? Gestoras de ETFs fazem suas “apostas”

Investir em ETFs. Foto: Freepik

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Com a curva de juros ainda elevada e um cenário de inflação incerto, escolher entre títulos prefixados, indexados ao IPCA ou pós-fixados pode não ser algo fácil para investidores de renda fixa. Para este ano, os ETFs seguem sendo opções práticas, e as principais gestoras desses produtos avaliam que a melhor estratégia não é escolher um único indexador, mas construir uma alocação equilibrada entre diferentes fatores de risco.

Na visão de Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas da Itaú Asset, a diversificação continua sendo o principal direcionador das carteiras.

“Em um cenário como o atual, não faz sentido investir tudo em um único fator de risco”, afirma.

Segundo ele, ETFs pós-fixados como o LFTI11 seguem como “pilar de estabilidade, liquidez e proteção em cenários incertos”, enquanto produtos indexados à inflação, como B5P211 e IMAB11, cumprem o papel de proteção real no longo prazo. Já os prefixados, como IRFM11 e IDKA11, devem ser usados de forma mais tática.

“A mensagem central é que a diversificação de duration e indexadores é mais importante do que acertar o melhor ETF hoje”, diz.

A leitura é semelhante à de Danilo Moreno, analista da Investo, que destaca o atual patamar de juros reais como um dos fatores que favorecem a combinação entre pós-fixados e ativos indexados à inflação.

Segundo ele, com a expectativa de uma Selic ainda elevada ao longo do ano, os pós-fixados continuam oferecendo retornos competitivos com menor volatilidade, enquanto a exposição ao IPCA+ permite capturar prêmios reais elevados.

Nesse contexto, ele cita o LFTB11, que combina exposição ao Tesouro Selic com NTN-B longa, e o NTNS11, voltado ao juro real de prazos mais curtos.

“Essa combinação permite ao investidor equilibrar proteção, previsibilidade e potencial de valorização ao longo do ciclo”, afirma.

Volatilidade e marcação a mercado seguem no radar

Em um ambiente marcado por incertezas fiscais e possíveis choques externos, a marcação a mercado permanece como um dos principais pontos de atenção para portfólios com maior exposição a prefixados ou títulos indexados à inflação.

“O risco de marcação a mercado não é um problema em si, ele é o preço da liquidez e da transparência”, afirma Eid.

O especialista ressalta que o ponto central é alinhar a duration ao horizonte do investidor e à sua tolerância a oscilações.

“O erro do investidor é assumir duration longa sem estar preparado para volatilidade no curto prazo”, diz.

Moreno acrescenta que esse efeito é inerente aos ETFs de renda fixa, já que as carteiras são renovadas continuamente para manter o perfil de risco dos índices.

Em períodos de maior volatilidade, prefixados e IPCA+ tendem a apresentar oscilações mais relevantes no curto prazo, o que exige atenção ao perfil de risco e à diversificação.

“Alinhar o prazo médio dos títulos aos objetivos da carteira e diversificar dentro da própria renda fixa é fundamental”, afirma.

O papel estratégico dos pós-fixados

Mesmo em um cenário em que prefixados e IPCA+ possam oferecer oportunidades de retorno superiores em determinados momentos do ciclo, os títulos pós-fixados continuam exercendo papel central na construção das carteiras, dizem os especialistas.

Eid destaca que ETFs atrelados à Selic, como o LFTI11, funcionam como instrumentos de eficiência e opcionalidade dentro do portfólio.

“Eles possibilitam reduzir a volatilidade do portfólio, gerar caixa para rebalanceamento e permitir atravessar ciclos sem decisões precipitadas”, afirma.

Moreno segue a mesma linha e ressalta que a exposição ao CDI ou à Selic atua como pilar de estabilidade e previsibilidade, além de oferecer flexibilidade para aumentar posições em prefixados ou IPCA+ quando o cenário se tornar mais favorável.

“Os títulos pós-fixados continuam exercendo um papel central dentro da renda fixa, ajudando a reduzir a volatilidade em momentos de estresse da curva de juros”, diz.

Na Nu Asset, o diretor de investimentos Andrés Kikuchi reforça esse ponto ao afirmar que os pós-fixados são importantes redutores de risco e instrumentos de gestão de liquidez no curto prazo, mas alerta para o risco de excesso de exposição.

“Para investidores com horizonte mais longo, manter alocação excessiva em pós-fixados pode significar um custo de oportunidade relevante, quando comparado ao potencial de retorno dos prefixados e indexados à inflação”, afirma.

Portanto, a principal “aposta” das gestoras de ETFs para 2026 não é um único indexador, mas a construção de portfólios diversificados entre pós-fixados, IPCA+ e prefixados, combinando estabilidade, proteção inflacionária e oportunidades táticas ao longo do ciclo de juros.

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