A Petrobras (PETR4) está disposta a cavar fundo para encontrar novas reservas de petróleo e gás. A companhia prevê investir US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial até 2030, com a perfuração de 15 poços exploratórios em uma das principais apostas de seu planejamento para os próximos anos.
Os recursos fazem parte do Plano de Negócios 2026-2030. O documento oficial prevê US$ 109 bilhões em investimentos totais, dos quais US$ 69,2 bilhões serão destinados à carteira de Exploração e Produção. Para as atividades exploratórias, a estatal separou US$ 7,1 bilhões.
Além da Margem Equatorial, os investimentos em exploração contemplam bacias localizadas no Sul e no Sudeste do Brasil e ativos internacionais em países como Colômbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul.
Margem Equatorial ainda depende de licenças
A Margem Equatorial possui aproximadamente 2.200 quilômetros de extensão entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. A região reúne as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
Dos 15 poços incluídos no planejamento, três ainda dependem de licenciamento ambiental para o início das atividades. Em 14 de agosto, a Petrobras enviou ao Ibama informações complementares sobre a proteção da fauna marinha, os procedimentos de resposta a emergências e os possíveis impactos acumulados da exploração.
No site de Relações com Investidores, a estatal explica que a perfuração inicial possui caráter exclusivamente exploratório. Se a presença de petróleo for confirmada em escala comercial, será necessário iniciar outro processo de licenciamento ambiental antes da instalação da infraestrutura destinada à produção.
A Petrobras também informa que o poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, está a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá e a mais de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A perfuração ocorre em águas ultraprofundas, com profundidade oceânica superior a 2.800 metros.
O que dizem os analistas sobre a Petrobras?
O Itaú BBA avalia que a região pode adicionar valor relevante à Petrobras, mas considera prematuro incorporar integralmente esse potencial às projeções de longo prazo. O banco trabalha com preço-alvo de R$ 63 para as ações PETR4 no fim de 2026.
Uma reportagem que repercutiu o relatório calculou que, caso o preço-alvo seja alcançado, o valor de mercado da Petrobras poderia chegar a aproximadamente R$ 811 bilhões, ante cerca de R$ 632,5 bilhões considerados no levantamento.
A avaliação considera a possibilidade de confirmação de até 5,7 bilhões de barris na Bacia da Foz do Amazonas. O banco estima ainda que o custo de extração na região pode ficar entre US$ 15 e US$ 30 por barril, com base nas operações realizadas na Guiana, área geologicamente próxima.
Os analistas ponderam, entretanto, que a identificação de hidrocarbonetos não comprova a existência de uma reserva comercialmente viável. Os investimentos e as novas perfurações servirão justamente para ampliar o conhecimento sobre o potencial da área.
Ao comentar as perspectivas da Margem Equatorial para a Petrobras (PETR4), Monique Greco, analista de Óleo e Gás do Itaú BBA, afirma que “serão necessárias atividades adicionais de avaliação para determinar a extensão da descoberta, as características do reservatório e, em última instância, se a acumulação pode ser desenvolvida comercialmente”.
