A Petrobras (PETR4) deu mais um passo para destravar uma nova fronteira de produção de petróleo e gás no Brasil. A companhia informou nesta sexta-feira (29) que assinou contratos com a SBM Offshore para a construção de dois FPSOs destinados ao projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), com investimentos superiores a R$ 60 bilhões e previsão de produção total de mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente.
O anúncio reforça a estratégia da estatal de ampliar a produção em áreas de maior potencial, ao mesmo tempo em que busca fortalecer a oferta nacional de gás natural. As duas unidades serão contratadas na modalidade Build, Operate and Transfer (BOT), em que a Petrobras será proprietária dos FPSOs, enquanto a SBM Offshore ficará responsável por projeto, construção, montagem, operação e manutenção inicial das plataformas por 6,5 anos.
Petrobras (PETR4) assina contratos para dois FPSOs
Segundo a Petrobras, os contratos envolvem os FPSOs SEAP-I, batizado de P-81, e SEAP-II, chamado de P-87. As unidades serão destinadas ao desenvolvimento do projeto Sergipe Águas Profundas, uma das principais apostas da estatal para expandir a produção fora do eixo tradicional do pré-sal.
A companhia afirma que os dois projetos “representam um retorno econômico significativo” e devem contribuir “de forma relevante para o aumento da produção nacional de petróleo e gás”.
O FPSO SEAP-II terá capacidade instalada para produzir 120 mil barris de petróleo por dia e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. O início da produção de óleo está previsto para 2030, enquanto a exportação de gás deve começar em 2031.
O projeto envolve jazidas de óleo leve de boa qualidade e gás não associado com baixo teor de contaminantes, localizadas a cerca de 80 quilômetros da costa, nas concessões BM-SEAL-4, BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10.
Projeto em Sergipe pode ampliar oferta de gás
Já o FPSO SEAP-I também terá capacidade para produzir 120 mil barris de petróleo por dia, mas com processamento de 10 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. O início da produção está previsto para 2031.
O projeto contempla jazidas nas concessões BM-SEAL-11 e BM-SEAL-10, localizadas a aproximadamente 100 quilômetros da costa. Na BM-SEAL-11, a Petrobras é operadora com 60% de participação, em parceria com a IBV Brasil Petróleo Ltda., que possui os 40% restantes. Na BM-SEAL-10, a estatal detém 100%.
Somadas, as duas plataformas terão capacidade instalada de produção de 240 mil barris de petróleo por dia e processamento de 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente.
Outro ponto relevante está na infraestrutura de escoamento. Os FPSOs serão conectados a um gasoduto com cerca de 134 quilômetros de extensão, sendo 111 quilômetros em trecho marítimo e 23 quilômetros em terra.
Para a Petrobras, a estrutura deve “ampliar a oferta de gás natural no país e fortalecer a segurança energética nacional”, além de consolidar Sergipe Águas Profundas como uma nova frente estratégica de produção de óleo e gás no Nordeste.
