O fundo de investimento FI-Infra NUIF11, gerido pela Nu Asset, enfrentou um março desafiador, marcado por maior instabilidade no crédito e significativa abertura de spreads. A dinâmica pressionou a precificação dos papéis de infraestrutura e refletiu-se diretamente no desempenho do fundo ao longo do mês. A cota patrimonial recuou 1,6%, enquanto a cota de mercado mostrou maior resiliência, com queda de 0,9%, segundo a administração.
A intensificação dos resgates no setor contribuiu para reduzir a demanda por emissões primárias, ao mesmo tempo em que ampliou a pressão vendedora no mercado secundário. Esse fluxo adverso elevou a sensibilidade das curvas e aumentou o custo de carregamento em novas posições, reforçando a cautela na alocação. No agregado, a reprecificação setorial guiou a maior parte do ajuste observado.
FI-Infra sob impacto de spreads e curvas de juros
De acordo com o relatório gerencial, a expansão dos spreads, somada às operações de trading, retirou 1,8% do resultado mensal, configurando o principal vetor negativo. As oscilações das curvas de juros intensificaram o movimento, adicionando perda de 1,3% e refletindo a aversão a risco no crédito privado. Em contrapartida, o carrego do portfólio atuou como amortecedor, gerando ganho de 1,6% e mitigando parcialmente os efeitos adversos.
A gestão promoveu um rebalanceamento oportunístico e prudente da carteira. A posição em Intervias (Grupo Arteris) foi zerada diante do agravamento do risco de crédito, reduzindo potenciais assimetrias negativas. Ao mesmo tempo, aumentou-se a exposição a papéis da Claro e Engie, buscando capturar o prêmio decorrente do alargamento dos spreads e fortalecer a qualidade do book.
Postura conservadora em ambiente de volatilidade
Ao fim de março, cerca de 7% dos recursos permaneceram em caixa, refletindo postura conservadora em ambiente de volatilidade elevada. Esse colchão de liquidez oferece flexibilidade para aproveitar janelas de entrada mais favoráveis e sustentar a disciplina de preços nas novas alocações, preservando o perfil de risco-retorno.
Mesmo com a performance pressionada, o fundo manteve a regularidade de proventos. O pagamento de abril foi de R$ 1,00 por cota, implicando dividend yield anualizado próximo de 13,8%, ou cerca de 105% do CDI após impostos. Em 12 meses, as distribuições totalizaram R$ 14,10 por cota, indicador que reforça a resiliência do FI-Infra na geração de renda ao longo do ciclo.
