A compra de um pequeno banco brasileiro até entrou no radar, mas a novidade mais chamativa para o Nubank (ROXO34) veio de outro lugar: a inteligência artificial. O fundador da fintech, David Vélez, foi nomeado para os conselhos da OpenAI Foundation e da OpenAI Group PBC, movimento que, para o BTG Pactual, reforça a aproximação do executivo com o ecossistema global de tecnologia e IA.
Segundo os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, a indicação de Vélez não deve ser lida como uma parceria comercial entre Nubank e OpenAI. Ainda assim, o banco avalia que o movimento é estrategicamente relevante, especialmente em um momento em que a fintech tenta se posicionar não apenas como uma empresa focada em crédito, mas também como uma companhia “AI-first”.
O BTG manteve recomendação de compra para Nubank, com preço-alvo de US$ 21 para a ação negociada nos Estados Unidos. Considerando o preço de US$ 14,39 usado no relatório, o potencial de valorização estimado é de 45,9%.
Nubank (ROXO34) fica mais perto da IA
Na visão do BTG, a entrada de David Vélez nos conselhos da OpenAI indica uma proximidade crescente do fundador do Nubank (ROXO34) com o centro das discussões globais sobre inteligência artificial.
O banco também lembra que a decisão recente de Vélez de se mudar para Palo Alto, na Califórnia, parece consistente com essa estratégia. A região é considerada um dos principais polos da indústria global de tecnologia e IA.
Para os analistas, esse movimento pode dar ao Nubank mais exposição a temas como governança de inteligência artificial, infraestrutura tecnológica, adoção de novos produtos e possíveis aplicações de IA em serviços financeiros.
O ponto é importante porque a fintech já vem tentando incorporar inteligência artificial de forma mais profunda em sua plataforma financeira, nos produtos voltados aos clientes, na personalização da experiência e nos processos internos.
Ao mesmo tempo, o BTG ressalta que o Nubank continua sendo, antes de tudo, uma empresa focada em crédito. Ou seja, a tese ainda depende da capacidade da companhia de crescer com rentabilidade, controlar inadimplência e ampliar sua base de clientes, mas a IA pode ganhar peso crescente na eficiência e na oferta de produtos.
Compra de banco tem efeito mais regulatório
A outra frente comentada pelo BTG foi a aquisição de 100% do Banco Porto Real de Investimentos, anunciada pelo Nubank. A operação envolve um pequeno banco comercial brasileiro, por valor não divulgado, e ainda depende da aprovação do Banco Central.
Apesar de chamar atenção pelo simbolismo, o BTG avalia que a transação tem impacto financeiro limitado. Segundo o relatório, o Banco Porto Real tinha R$ 32,1 milhões em ativos e R$ 31,4 milhões em patrimônio líquido em março, valores considerados imateriais diante do tamanho do Nubank.
Na prática, a compra tem uma função mais regulatória e de marca. O BTG aponta que a aquisição deve permitir que a fintech cumpra a Resolução Conjunta 17, que restringe o uso de termos como “banco” a instituições com autorização bancária.
Com isso, o Nubank adiciona uma licença bancária ao seu conglomerado brasileiro e preserva o uso da marca em um ambiente regulatório mais exigente.
A companhia também afirmou que a operação não deve exigir capital ou liquidez adicionais relevantes. Após a aquisição do Banco Porto Real, o Nubank deve encerrar as negociações para comprar a unidade brasileira da Caixa Geral de Depósitos.
Nas projeções do BTG, o Nubank deve alcançar receita de US$ 16,8 bilhões em 2026 e lucro líquido de US$ 4,0 bilhões. Para 2027, as estimativas sobem para receita de US$ 21,3 bilhões e lucro de US$ 5,4 bilhões.
O banco também projeta ROE de 29,6% em 2026, 31,6% em 2027 e 34,7% em 2028. Já o P/L estimado cai de 17,7 vezes em 2026 para 13,1 vezes em 2027 e 10,1 vezes em 2028.
Para o BTG, o Nubank (ROXO34) segue com uma tese apoiada em crescimento, crédito e tecnologia. A compra do Banco Porto Real resolve uma frente regulatória, mas a nomeação de David Vélez para os conselhos da OpenAI é o ponto que mais reforça a ambição da fintech de colocar inteligência artificial no centro do modelo de negócios.
