A Natura (NATU3) teve suas projeções revisadas para baixo pela XP Investimentos, após os resultados considerados mais fracos no primeiro trimestre de 2026. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (27), a casa reduziu estimativas de EBITDA e lucro líquido para os próximos anos, além de cortar o preço-alvo da companhia para R$ 13,50 por ação.
Segundo os analistas, a revisão incorpora um cenário macroeconômico mais desafiador e perspectivas ainda pressionadas para a operação da Natura no curto prazo. A XP destacou que passou a trabalhar com uma visão mais conservadora para a evolução das margens da empresa em 2026.
“À luz dos resultados mais fracos do 1T e de uma perspectiva ainda desafiadora à frente, adotamos uma postura mais conservadora para os próximos resultados”, afirmou a instituição financeira.
Mesmo com a redução das projeções, a XP manteve recomendação de compra para as ações da Natura. A avaliação da casa é de que a companhia ainda deve apresentar melhora operacional gradual ao longo do segundo semestre, especialmente com sinais de recuperação das operações no Brasil e na divisão hispana.
A instituição também destacou que iniciativas voltadas ao aumento da produtividade das consultoras podem ajudar na retomada das receitas nos próximos trimestres. Além disso, a base de comparação mais fraca deve favorecer o crescimento da companhia na segunda metade do ano.
Natura (NATU3) segue com margens pressionadas
Apesar da expectativa de melhora operacional, a XP avalia que a Natura ainda enfrenta desafios importantes. Um dos principais pontos de atenção envolve a pressão sobre as margens no Brasil, diante da inflação de custos e do aumento de esforços promocionais.
No relatório, os analistas classificaram a rentabilidade do primeiro trimestre como uma surpresa negativa. “Uma das surpresas negativas do 1T foi a margem mais pressionada no Brasil”, destacou a XP, citando que a margem bruta da operação brasileira ficou em 69,3%.
A casa também alertou para possíveis impactos relacionados ao fim da substituição tributária do ICMS no segundo trimestre, embora avalie que parte desse efeito tende a ser neutralizada a partir do terceiro trimestre.
Outro ponto que segue no radar do mercado envolve a Advent International. A gestora fechou um compromisso vinculante que vinha funcionando como uma espécie de “piso” para as ações da Natura, considerando o preço indicativo de R$ 9,75 por papel. No entanto, a XP destacou que a Advent poderá encerrar antecipadamente esse compromisso já em 30 de junho, caso as ações NATU3 permaneçam acima desse patamar médio.
Para os analistas, esse movimento poderia levar o mercado a reprecificar os papéis com base nos fundamentos atuais da companhia, o que poderia aumentar ainda mais a pressão sobre as ações da Natura (NATU3) no curto prazo.
