As ações da Natura (NATU3) estão entre as maiores perdas do Ibovespa nesta terça-feira (12), após a companhia reportar resultados mais fracos do que o esperado no primeiro trimestre de 2026. Por volta das 13h, os papéis da empresa de cosméticos caem 4,48%, a R$ 10,03.
A reação negativa do mercado ocorre após a Natura divulgar um prejuízo líquido de R$ 445 milhões entre janeiro e março, acima das perdas de R$ 152 milhões registradas no mesmo período do ano passado. Já a receita líquida da empresa ficou em R$ 4,75 bilhões no período, representando recuo de 7,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente da companhia somou R$ 346 milhões no trimestre, uma queda de 55,7% na comparação anual. Segundo dados da LSEG, o consenso do mercado projetava um Ebitda de R$ 430 milhões para o trimestre.
Em comunicado, a Natura afirmou que enfrentou uma “pressão temporária sobre a rentabilidade” diante de mudanças no modelo operacional e da redução das receitas. A companhia também destacou o desempenho mais fraco das marcas Natura e Avon no Brasil, além da retomada mais lenta das operações na América Latina.
O que os analistas da XP disseram sobre os resultados da Natura (NATU3)?
Na avaliação da XP, os resultados da Natura vieram abaixo do esperado, principalmente em função da margem bruta mais pressionada e do Ebitda ajustado inferior às projeções da casa. Os analistas destacaram que o ambiente macroeconômico segue desafiador, especialmente no Brasil e na Argentina, levando a companhia a aumentar os investimentos em consultoras para estimular a atividade comercial.
Segundo o relatório, a combinação entre margem bruta mais fraca, desalavancagem operacional e despesas relacionadas à reestruturação da companhia pressionou a margem Ebitda em 7,9 pontos percentuais na comparação anual.
A XP também chamou atenção para a queima de caixa da Natura no trimestre. O fluxo de caixa livre (FCF) ficou negativo em R$ 430 milhões, impactado por pagamentos relacionados ao acordo da Chapman, despesas de reestruturação, sazonalidade mais fraca e resultados operacionais pressionados.
Além disso, a casa afirmou que o segundo trimestre ainda deve ser um período de transição para a companhia, com riscos operacionais relevantes ligados à implementação do sistema SAP prevista para junho.
“Embora estejamos construtivos com as perspectivas de médio prazo da companhia, esperamos que os investidores retornem a uma postura de esperar para ver em relação à Natura (NATU3), em meio ao aumento dos riscos macro e de execução”, conclui a análise da XP.
Notícias Relacionadas
