A Natura (NATU3) decidiu resgatar um nome conhecido para tentar acelerar sua recuperação. A companhia anunciou o retorno de Alessandro Carlucci ao cargo de diretor-presidente, 12 anos depois de o executivo deixar a função. Após a notícia, as ações chegaram a subir 9,04% durante o pregão de segunda-feira (31), embora tenham encerrado o dia estáveis, a R$ 8,74.
Carlucci assumirá oficialmente em 1º de outubro, substituindo João Paulo Ferreira, que deixará a empresa após dez anos no comando. Até o fim de setembro, os dois executivos conduzirão uma transição descrita pela Natura como “sem rupturas”, conforme o fato relevante.
Carlucci volta ao comando da Natura
Alessandro Carlucci liderou a Natura entre 2005 e 2014, período em que acumulou 25 anos de atuação na companhia. Ele também presidia o Conselho de Administração desde abril deste ano, depois de retornar à empresa como conselheiro em 2025.
Para assumir a presidência executiva, Carlucci renunciou ao cargo de chairman e à posição de membro do Conselho, conforme determinam as regras do estatuto da Natura. O documento impede a acumulação das funções de CEO e presidente do conselho.
A companhia afirma que o executivo reúne conhecimento do modelo de negócios da Natura e experiência em empresas dos setores de consumo, varejo e comércio digital. Segundo o comunicado, a mudança combina “profundo conhecimento do legado e modelo empresarial da Natura com inovação”.
A trajetória de Carlucci inclui ainda participação em conselhos de empresas como Arezzo &Co., Lojas Renner e Avon International, além da presidência da World Federation of Direct Selling Associations.
João Paulo Ferreira encerra ciclo de dez anos
João Paulo Ferreira deixará o cargo de diretor-presidente após uma década à frente da Natura. Sua saída ocorrerá depois de 30 de setembro, enquanto a renúncia ao Conselho de Administração e aos comitês de assessoramento teve efeito imediato.
Durante sua gestão, a empresa integrou as operações da Avon, ampliou a presença nos mercados de língua espanhola, digitalizou a venda direta e transformou-se em uma companhia multicanal. A Natura também afirma que triplicou a receita e alcançou a liderança do mercado de beleza na América Latina no período.
O executivo, porém, deixa a companhia em um momento de pressão. No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido caiu 82%, para R$ 35 milhões, enquanto a receita da operação brasileira recuou cerca de 15% na comparação anual.
A empresa também enfrentou problemas de abastecimento e planejamento após a implementação de um novo sistema integrado de gestão. Para analistas do Itaú BBA, a recuperação deverá ser gradual, e a execução continuará sendo o principal desafio da tese de investimento.
Fábio Barbosa retorna à presidência do conselho
Com a ida de Carlucci para a diretoria executiva, Fábio Barbosa foi eleito novamente presidente do Conselho de Administração. A nomeação ocorreu em 29 de agosto, mas ainda precisa ser ratificada pelos acionistas na próxima Assembleia Geral.
Barbosa comandou a reorganização da estrutura de capital da Natura e havia deixado a presidência do conselho durante a reconfiguração da governança da companhia.
As diretrizes estratégicas, segundo a Natura, permanecem inalteradas. A empresa afirma que continuará priorizando rentabilidade, eficiência operacional e alocação de capital.
Por que o mercado reagiu positivamente?
A reação inicial dos investidores indica que o retorno de Carlucci foi interpretado como uma tentativa de renovar a liderança sem promover uma ruptura na estratégia. O JPMorgan avaliou que a mudança pode fortalecer a execução e destacou a experiência do executivo em um ciclo anterior de expansão da Natura.
A escolha também reduz a incerteza sobre quem conduzirá a próxima etapa da companhia. Carlucci conhece a operação, o modelo de venda direta e a cultura corporativa, além de ter acompanhado a empresa de perto como presidente do conselho.
Isso não significa, contudo, que os problemas estejam resolvidos. A Natura ainda precisa recuperar as vendas no Brasil, normalizar o abastecimento de produtos e provar que consegue transformar a reorganização operacional em crescimento e geração de caixa.
Nos próximos meses, os investidores devem acompanhar a transição até outubro, a evolução da receita brasileira e os efeitos das medidas de eficiência. A volta de um antigo comandante pode melhorar a confiança, mas a recuperação da Natura (NATU3) dependerá da execução — e não apenas da troca de nomes.
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