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Movida (MOVI3) dobra lucro no 2T26; resultado confirma virada operacional?

Movida (MOVI3) - Foto: Divulgação

Movida (MOVI3) - Foto: Divulgação/Movida

A Movida (MOVI3) chegou ao segundo trimestre de 2026 acelerando justamente onde mais importa para uma locadora: preço, ocupação e rentabilidade. A companhia registrou lucro líquido de R$ 136 milhões, avanço de 100,7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o negócio de aluguel de veículos ganhou força e ajudou a compensar uma operação mais fraca de seminovos.

O balanço reforça uma recuperação que já vinha aparecendo nos últimos trimestres. Com reajustes nas diárias, maior utilização da frota e expansão das margens, a Movida conseguiu fazer o resultado operacional crescer em ritmo bem superior ao da receita. A pressão dos juros, porém, continua sendo uma peça importante dessa conta.

Aluguel de veículos puxa resultado da Movida

A receita líquida consolidada alcançou R$ 3,8 bilhões no trimestre, crescimento de 2,4% na comparação anual. Por trás de uma expansão relativamente moderada no topo do balanço, houve movimentos bem diferentes entre os negócios.

No aluguel de veículos no Brasil, a receita cresceu 30,4%, para R$ 1,1 bilhão. A diária média avançou 6,8%, para R$ 165, enquanto o volume de locações aumentou 22,1% e a taxa de ocupação chegou a 76,2%, 2,1 pontos percentuais acima do 2T25.

A terceirização de frotas também avançou. A receita cresceu 15,5%, para R$ 1,1 bilhão, acompanhada por uma alta de 11,5% na receita média mensal por veículo.

Esse desempenho apareceu diretamente na rentabilidade. O Ebitda consolidado avançou 22,3%, para R$ 1,7 bilhão, e a margem chegou a 44,8%. Já o Ebit alcançou R$ 1 bilhão, crescimento de 29,2% em um ano.

No release de resultados, a administração relaciona a evolução do período à estratégia de priorizar rentabilidade, eficiência e disciplina na gestão da frota, movimento que vem permitindo à companhia melhorar os retornos mesmo em um ambiente de juros elevados.

Seminovos vendem menos, mas por preços maiores

Se a locação acelerou, a venda de carros usados seguiu por outro caminho.

A receita de seminovos caiu 17,7%, para R$ 1,5 bilhão, principalmente porque a Movida vendeu 25,1% menos veículos do que no mesmo trimestre de 2025. Parte dessa queda foi compensada pelo preço médio, que subiu 9,7% e chegou a R$ 77,3 mil.

O movimento ajuda a explicar por que a receita consolidada cresceu apenas 2,4% mesmo diante do forte desempenho das operações de aluguel. A companhia vendeu menos carros, enquanto conseguiu extrair mais receita e rentabilidade da frota que permaneceu em operação.

A estratégia também contribuiu para a evolução das margens. No aluguel de veículos, a margem operacional chegou a 68,9%, enquanto a terceirização de frotas alcançou 77,9%.

Juros ainda pesam no balanço

A melhora operacional encontrou um obstáculo conhecido das empresas mais alavancadas: o custo financeiro.

As despesas financeiras líquidas cresceram 21,8%, para R$ 845,6 milhões, refletindo tanto o maior endividamento quanto o custo mais elevado da dívida. A dívida líquida ajustada chegou a R$ 18,8 bilhões, avanço de 8,3% em relação ao ano anterior.

Ainda assim, a alavancagem mostrou melhora na comparação anual. Considerando as cessões de direitos creditórios, a relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda ficou em 2,91 vezes, ante 3,20 vezes no 2T25 e 2,96 vezes no primeiro trimestre deste ano.

É justamente esse equilíbrio que passa a ser importante para a tese de MOVI3. A Movida está conseguindo melhorar preços, ocupação e margens, mas parte desse ganho ainda é absorvida pelo elevado custo financeiro.

Para o terceiro trimestre, a própria companhia projeta lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões. Mesmo no topo da faixa, o número fica abaixo dos R$ 160,5 milhões esperados pelo Safra, mas representa crescimento expressivo sobre os R$ 70 milhões registrados no 3T25.

Safra vê tendência positiva para MOVI3

Para o Safra, o balanço reforçou uma tendência operacional positiva, especialmente pela combinação entre preços maiores, ocupação mais elevada e expansão das margens no aluguel de veículos.

O banco destaca ainda que a Movida conseguiu avançar em rentabilidade mesmo com o ambiente de juros pressionando as despesas financeiras. A recomendação para MOVI3 segue sendo de compra.

Outro ponto observado pelo Safra é a avaliação da ação. Segundo os cálculos da casa, MOVI3 negocia a cerca de 5 vezes o lucro estimado para 2026, aproximadamente 21% abaixo da média histórica de 6,3 vezes.

Assim, o 2T26 deixa duas leituras para o investidor. De um lado, a Movida (MOVI3) praticamente dobrou o lucro, ampliou margens e melhorou a alavancagem na comparação anual. Do outro, juros elevados continuam consumindo uma parcela relevante do avanço operacional, enquanto a projeção de lucro para o terceiro trimestre veio abaixo da estimativa do Safra.

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