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Por que o LFTB11 virou o “queridinho” entre os ETFs de renda fixa?

LFTB11

Foto: Freepik

Os ETFs de renda fixa vêm ganhando espaço entre investidores brasileiros em meio à busca por mais eficiência tributária, liquidez e praticidade na gestão da carteira. Nesse movimento, um produto em especial passou a chamar atenção do mercado: o LFTB11, da Investo.

Lançado no fim de 2024, o ETF rapidamente se tornou um dos mais negociados da B3 dentro do segmento de renda fixa. Segundo Danilo Moreno, analista da Investo, o produto já está entre os 10 maiores ETFs do Brasil em patrimônio e entre os cinco mais negociados da bolsa.

“O investidor brasileiro já reconheceu o produto e o abraçou na prática, o que se reflete tanto no volume diário de negociações quanto na base crescente de patrimônio alocado”, afirma.

O avanço do fundo acontece em um momento em que investidores passaram a olhar para a renda fixa negociada em bolsa não apenas como uma alternativa operacionalmente mais simples, mas também como uma forma de reduzir perdas tributárias no longo prazo.

Qual o diferencial do LFTB11?

O principal diferencial do LFTB11 está na composição da carteira. O ETF combina uma parcela majoritária em títulos atrelados à Selic com uma fatia menor em títulos indexados à inflação de prazo mais longo.

Hoje, cerca de 91% da carteira está alocada em LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), títulos pós-fixados que acompanham a Selic e apresentam baixa volatilidade. Os outros 9% ficam em NTN-Bs longas, papéis atrelados ao IPCA.

Na prática, essa estrutura busca manter um comportamento semelhante ao da renda fixa pós-fixada tradicional, mas com uma vantagem tributária relevante.

“O resultado prático é um ETF que se comporta de maneira próxima à Selic no dia a dia, mas com a estrutura tributária de quem investe em renda fixa de prazo mais longo”, explica Moreno.

A presença das NTN-Bs não existe necessariamente para aumentar o risco da carteira, mas para permitir que o ETF cumpra uma exigência regulatória ligada ao prazo médio da carteira. Isso possibilita o enquadramento na alíquota fixa de 15% de Imposto de Renda.

O impacto do come-cotas no longo prazo

Boa parte da popularidade do LFTB11 está ligada justamente à eficiência tributária.

Enquanto fundos tradicionais de renda fixa sofrem incidência do chamado come-cotas (antecipação semestral do Imposto de Renda) o ETF da Investo não possui esse mecanismo. No LFTB11, o imposto é pago apenas no momento da venda das cotas.

Segundo a Investo, o impacto dessa diferença pode ser significativo ao longo do tempo.

Em uma simulação feita pela gestora considerando retorno anual de 10%, próximo à média do CDI entre 2016 e 2025, um investidor teria ganho líquido 8% maior em 10 anos em comparação com um fundo equivalente sujeito ao come-cotas. Em 20 anos, a diferença subiria para 19%. Em 30 anos, chegaria a 34%.

“O come-cotas funciona como um vazamento semestral de capital que, ao longo dos anos, corrói de forma silenciosa uma parcela relevante do retorno que o investidor poderia ter acumulado”, afirma Moreno.

Outro diferencial apontado pela gestora é a ausência de IOF e a liquidez em D+1, o que permite acesso mais rápido aos recursos em comparação com alguns produtos tradicionais de renda fixa.

Em quais cenários o ETF pode se destacar?

O histórico do MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration, índice replicado pelo LFTB11, mostra que o produto tende a ganhar vantagem relativa em momentos de queda dos juros de longo prazo.

Segundo Moreno, desde 2016 o índice acumulou retorno equivalente a cerca de 104% do CDI. O melhor desempenho ocorreu principalmente nos ciclos de fechamento da curva de juros, quando as NTN-Bs longas passaram por forte valorização.

O cenário atual também ajuda a sustentar o interesse dos investidores pelo produto.

“A NTN-B 2060 encontra-se atualmente acima de 7% ao ano de juro real, um patamar raramente observado na história do mercado brasileiro”, diz o analista.

Segundo ele, momentos como esse historicamente antecederam períodos de fechamento das taxas longas, movimento que tende a beneficiar os títulos indexados à inflação presentes na carteira do ETF.

Apesar disso, Moreno ressalta que não há garantia de retorno acima do CDI e que o produto deve ser analisado dentro de uma estratégia de longo prazo.

Por que o LFTB11 ganhou espaço rápido?

Além da eficiência tributária, a Investo acredita que a versatilidade do ETF ajudou a impulsionar sua popularidade.

O produto pode ser usado como posição defensiva de longo prazo, reserva de oportunidade e até como garantia em operações com derivativos, permitindo que o investidor mantenha o capital aplicado enquanto utiliza o ativo como margem.

“Essa amplitude de uso é rara em um único produto de renda fixa”, afirma Moreno.

Para a gestora, o crescimento dos ETFs de renda fixa reflete uma mudança mais ampla no comportamento do investidor brasileiro, que passou a buscar estruturas mais eficientes dentro de uma classe que já ocupa parcela relevante do patrimônio nacional.

“A renda fixa já ocupa uma posição central na carteira da maioria dos brasileiros, e o LFTB11 oferece uma forma de manter essa alocação funcionando com mais eficiência, menos perda tributária e a liquidez de um ativo negociado em bolsa”, conclui o analista.

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