A JBS (JBSS32) divulgou, na noite de ontem (12), os resultados do primeiro trimestre de 2026. No período, a maior produtora de carnes do mundo registrou lucro líquido de US$ 221 milhões entre janeiro e março, uma queda de 55,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Nos três primeiros meses do ano, a JBS apresentou um Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 1,13 bilhão, recuo de 26% na base anual. Por outro lado, a receita líquida avançou 11% no período, para US$ 21,61 bilhões, impulsionada principalmente pelo desempenho das operações no Brasil.
Segundo a companhia, os destaques positivos ficaram por conta da JBS Brasil, beneficiada pela forte demanda global por carne bovina, e da Seara, que apresentou desempenho consistente tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.
A maior pressão veio da divisão de carne bovina da América do Norte, principal operação da companhia em termos de receita. A unidade registrou Ebitda ajustado negativo em US$ 267 milhões, piorando em relação ao resultado negativo de US$ 100 milhões apurado no primeiro trimestre de 2025. As margens da operação ficaram negativas em 3,7%.
Além disso, a Pilgrim’s Pride, controlada da companhia nos EUA, também foi impactada no período por paradas programadas em fábricas nos Estados Unidos para obras de ampliação e mudanças no mix de produtos.
Geração de caixa da JBS (JBSS32) preocupou os analistas
Para os analistas da XP Investimentos, os resultados da JBS vieram amplamente em linha com as estimativas da corretora no nível operacional, embora abaixo do consenso do mercado.
O principal ponto de preocupação, no entanto, foi a geração de caixa da companhia. A JBS reportou um consumo de caixa de US$ 1,5 bilhão no trimestre, resultado significativamente pior do que a projeção da XP, que estimava uma saída de US$ 731 milhões.
Segundo os analistas, o desempenho foi impactado principalmente por um consumo de capital de giro maior do que o esperado, além de despesas financeiras e de arrendamento em caixa mais elevadas.
A XP destacou ainda que o lucro líquido veio acima das suas projeções, mas ponderou que a surpresa positiva foi explicada, em grande parte, por receitas financeiras sem efeito caixa. Entre as divisões, a casa apontou a Seara como o principal destaque positivo do trimestre. A receita líquida da unidade ficou 12% acima das estimativas dos analistas.
Por outro lado, a operação da JBS Brasil decepcionou. O Ebitda ajustado da divisão da JBS (JBSS32) ficou 17% abaixo das projeções da XP, refletindo margens mais fracas do que o esperado, mesmo em um cenário favorável para as exportações de carne bovina.
