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Ibovespa sobe 1,40%, engata segunda alta e se aproxima dos 185 mil pontos

Ibovespa. Foto Unsplash.

Ibovespa. Foto Unsplash.

Ibovespa ganhou força nesta terça-feira (10) e ampliou a recuperação iniciada no pregão anterior. Embalado pela redução da aversão ao risco global e pela forte queda do petróleo no mercado internacional, o índice avançou 1,40%, aos 183.447,00 pontos, registrando sua maior alta diária desde o fim de fevereiro.

O movimento reflete uma melhora gradual no humor dos investidores após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que o conflito envolvendo EUA, Israel e Irã pode não se prolongar.

Com isso, o Ibovespa abriu aos 180.921,37 pontos, tocou mínima de 180.692,83 pontos e, no melhor momento do dia, chegou aos 185.323,62 pontos. O volume financeiro somou R$ 31,3 bilhões.

Apesar da recuperação recente, o índice ainda acumula queda de 2,83% em março, enquanto no ano a alta permanece em 13,85%.

Petróleo despenca e melhora o humor dos mercados

Um dos principais motores do pregão foi a forte queda do petróleo no mercado internacional.

Após três sessões de disparada provocadas pela guerra no Oriente Médio, a commodity recuou mais de 11% nesta terça-feira. O contrato do WTI para abril caiu 11,9%, para US$ 83,45, enquanto o Brent para maio recuou 11,2%, para US$ 87,80.

A queda ocorreu diante de sinais de normalização no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e da expectativa de aumento da oferta global da commodity.

Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, afirma que o movimento reflete uma redução parcial da aversão ao risco.

“O dia foi meio que uma continuidade do que se viu ontem, com algum suporte dessa moderação da aversão a risco. O principal temor continua sendo uma eventual disrupção no fornecimento de petróleo, que poderia pressionar a inflação global”, diz.

Rumo, Cosan e varejo lideram as altas

Com o ambiente mais favorável ao risco, ações sensíveis ao ciclo econômico lideraram os ganhos.

Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram:

• Rumo (RAIL3): +6,96%
• Magazine Luiza (MGLU3): +6,51%
• Cosan (CSAN3): +6,45%

Entre as blue chipsVale (VALE3) avançou 1,64%, enquanto os grandes bancos também registraram ganhos, com Itaú (ITUB4) subindo 1,48% e Bradesco (BBDC4) avançando 2,46%.

Petrobras (PETR3; PETR4), por outro lado, teve leve correção acompanhando o recuo do petróleo no mercado internacional.

Segundo Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, o humor do mercado mudou ao longo da tarde diante de sinais mistos sobre o conflito no Oriente Médio.

“O mercado mudou um pouco das 4h para agora. A Europa já tinha fechado em alta e, nos Estados Unidos, houve uma leve realização. Há muitas informações contraditórias sobre a guerra e o mercado chegou a se animar mais no fim do dia”, afirma.

O analista acrescenta que o ambiente global segue marcado por ajustes em commodities e juros. “O petróleo estava caindo mais cedo e agora recua menos, enquanto o minério fechou em alta. Aqui no Brasil, os juros futuros seguem em queda, o dólar ficou mais de lado depois de cair antes, e a Bolsa continuou subindo”, explica.

Entre os destaques corporativos do pregão, Bresciani também ressalta o impacto da divulgação de resultados.

“Rumo e Cosan aparecem entre as principais altas por conta dos balanços divulgados hoje, especialmente o da Cosan. Já entre as quedas estão Braskem e PetroRio”, diz.

Dólar hoje e bolsas em Nova York

O dólar acompanhou o enfraquecimento global da moeda americana e fechou em queda de 0,13%, a R$ 5,1575.

Nos Estados Unidos, os principais índices terminaram próximos da estabilidade:

• Dow Jones: -0,07%
• S&P 500: -0,21%
• Nasdaq: +0,01%

Para os próximos dias, investidores seguem atentos à agenda econômica.

“Amanhã saem os balanços de CSN e Braskem. Na quarta-feira saem as vendas no varejo, na quinta o IPCA de fevereiro e na sexta os dados do setor de serviços”, afirma Bresciani.

Com a melhora do apetite por risco nesta semana, o Ibovespa tenta retomar parte das perdas recentes, mas o mercado segue sensível aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e aos impactos do petróleo sobre inflação e juros globais.

Com Estadão Conteúdo

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