O Ibovespa atingiu um novo patamar histórico nesta quinta-feira, 9, ao romper pela primeira vez a marca dos 195 mil pontos e fechar no maior nível da história, aos 195.129,25 pontos, em alta de 1,52%. O movimento marcou a oitava sessão consecutiva de ganhos e consolidou um dos ralis mais fortes do mercado brasileiro nos últimos anos.
O índice chegou a tocar 195.513,91 pontos no intradia, ampliando a sequência de recordes em meio a um ambiente global mais construtivo, impulsionado pela trégua entre Estados Unidos e Irã e pela consequente redução dos prêmios de risco.
Ibovespa em modo rali: recorde, fluxo e sequência histórica
A disparada do Ibovespa não veio isolada. O movimento reflete uma combinação de fatores que se reforçam mutuamente: fluxo estrangeiro consistente, queda de juros, alívio geopolítico e forte demanda por ativos de risco.
Com o avanço desta sessão, o índice acumula alta de 3,76% na semana, 4,09% em abril e expressivos 21,10% no ano. O giro financeiro também segue elevado, em R$ 37,2 bilhões, indicando participação relevante de investidores institucionais.
A percepção de que o Brasil segue “barato” em relação a pares globais tem sustentado o fluxo. Esse movimento pode ser observado também no ETF EWZ, negociado em Nova York, que avançou mais de 2% no período, reforçando o interesse do investidor estrangeiro pela bolsa brasileira.
Na B3, a alta foi disseminada. Petrobras subiu mais de 2%, acompanhando a recuperação do petróleo, enquanto bancos avançaram até 1,8%. A exceção entre as blue chips foi Vale, que recuou cerca de 1%.
Cotação do dólar hoje
O dólar caiu com força e foi um dos grandes protagonistas do dia, encerrando a sessão em baixa de 0,77%, cotado a R$ 5,0634 — o menor nível em dois anos.
A queda reflete uma combinação poderosa: entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira, enfraquecimento global da moeda americana e redução do prêmio de risco após sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
O real figurou entre as moedas que mais se valorizaram no mundo na sessão, em um movimento típico de “risk on”, no qual investidores reduzem exposição a ativos defensivos e buscam mercados emergentes.lém disso, a descompressão do petróleo — mesmo com recuperação parcial — ajudou a aliviar expectativas inflacionárias, abrindo espaço para queda de juros e fortalecendo ainda mais o fluxo para ativos locais.
Nos Estados Unidos, o ambiente também foi positivo:
Geopolítica ainda dita o ritmo — mas mercado compra a trégua
Apesar do rali, o pano de fundo segue sendo o conflito no Oriente Médio. O mercado reagiu positivamente a sinais de avanço nas negociações, incluindo pedidos dos EUA para redução de ataques e movimentações diplomáticas envolvendo Israel e Irã.
A possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz e de consolidação de um cessar-fogo sustentou o apetite por risco ao longo da sessão, ainda que com ruídos e incertezas no radar.
Nesse contexto, o mercado parece disposto a antecipar um cenário de normalização — mesmo sem garantias concretas. Como resumiu Matheus Spiess, da Empiricus Research, o cessar-fogo ainda é frágil, mas suficiente para sustentar o movimento atual, ainda que com potencial para novos episódios de volatilidade.
Com isso, o Ibovespa não apenas renova máximas, mas entra em um novo patamar impulsionado por fluxo, queda de juros e alívio global — ainda que sustentado por um equilíbrio delicado entre euforia e incerteza no cenário internacional.
