O Ibovespa mais que recuperou as perdas da véspera e encerrou esta quinta-feira (30) em alta firme, acompanhando a melhora do apetite por risco nos mercados globais. O principal índice da B3 avançou 1,88%, aos 177.158,86 pontos, na máxima do dia, impulsionado pela retomada do fluxo estrangeiro, pela valorização das blue chips e pelas apostas de queda dos juros no Brasil.
O índice oscilou entre a estabilidade, aos 173.885 pontos, e a máxima registrada no fechamento. Com o resultado, o Ibovespa acumula alta de 1,79% na semana, de 2,98% em julho e de 9,95% em 2026.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: fechou em queda de 0,92%, cotado a R$ 5,061, favorecido pelo maior apetite por risco e pela entrada de recursos estrangeiros no mercado brasileiro.
Inflação alivia preocupações com os juros
A melhora do mercado ocorreu após o índice de preços dos gastos com consumo, o PCE, dos Estados Unidos, apresentar resultado em linha com as expectativas. O dado trouxe algum alívio depois de o Federal Reserve manter os juros e adotar um discurso mais firme sobre a inflação na quarta-feira (29).
Segundo Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, o mesmo tema que derrubou os mercados na sessão anterior ajudou a sustentar a recuperação desta quinta-feira.
“A mesma coisa que derrubou os índices ontem hoje ajudou”, afirma a economista, ao lembrar que as declarações do presidente do Fed e os votos de três dirigentes favoráveis a uma alta dos juros haviam aumentado a cautela.
Veronese pondera que apenas um indicador não elimina todas as preocupações com a inflação americana, mas trouxe mais tranquilidade sobre a condução da política monetária.
“Não é que o cenário lá está tranquilo, mas foi um bom dia seguinte”, acrescenta.
No Brasil, as apostas de redução da Selic também ganharam força. Depois do IPCA-15 mais fraco divulgado nesta semana, o IGP-M caiu 1,16% em julho, recuo superior ao esperado pelo mercado. “Não há dúvida de que a Selic vai cair na semana que vem”, diz Veronese.
Fechamento das bolsas americanas
- Dow Jones: alta de 1,19%, aos 52.208,06 pontos;
- S&P 500: avanço de 1,67%, aos 7.437,63 pontos;
- Nasdaq: valorização de 2,78%, aos 24.122,18 pontos.
Os índices de Wall Street reagiram à leitura do PCE e à recuperação das ações de tecnologia, que haviam sido pressionadas na sessão anterior.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
A perspectiva de juros menores favoreceu principalmente as empresas mais ligadas à atividade doméstica. Totvs (TOTS3) avançou 6,08%, Cury (CURY3) ganhou 5,65%, Cogna (COGN3) subiu 5,02% e Magazine Luiza (MGLU3) teve alta de 4,83%. MBRF (MBRF3) liderou os ganhos do índice, com valorização de 7,62%.
Na ponta negativa, Usiminas (USIM5) caiu 9,86%, seguida por CSN (CSNA3), que recuou 5,00%, e CSN Mineração (CMIN3), com baixa de 3,51%.
Entre as ações de maior peso, Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 2,20% e Banco do Brasil (BBAS3) avançou 1,97%, recuperando parte das perdas registradas pelo setor financeiro no pregão anterior.
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) também avançaram, mesmo com a queda do petróleo no exterior. PETR3 subiu 2,19%, enquanto PETR4 ganhou 2,00%, apoiadas pelo fluxo estrangeiro e pela expectativa de que a companhia alcance, nas primeiras semanas de agosto, o reservatório do campo de Morpho, na Margem Equatorial.
Já Vale (VALE3) encerrou o dia em alta de 1,39%, superando a queda do minério de ferro e a influência negativa do balanço da Rio Tinto. Os investidores aguardam a divulgação dos resultados da mineradora após o fechamento.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quarta-feira (29), foi de 173.885,34 pontos, com queda de 1,52%.
Com Estadão Conteúdo
