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Ibovespa perde fôlego após flertar com 189 mil pontos e encerra sequência de 11 altas

Ibovespa

Ibovespa. Foto: iStock

Depois de chegar a subir quase 2% e renovar máximas durante o pregão, o Ibovespa virou no fim da sessão desta quinta-feira (3) e fechou praticamente estável, em queda de 0,01%, aos 185.188,13 pontos. O movimento encerrou uma sequência de 11 altas consecutivas, período em que o índice acumulou valorização de 11,34%.

O índice chegou aos 188.891,50 pontos na máxima, mas perdeu força com uma realização de lucros principalmente em Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4). Na mínima, marcou 184.718,36 pontos, com giro financeiro de R$ 35,2 bilhões.

Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, considera o movimento natural depois da disparada recente.

“Depois de superar a máxima de agosto, julho e junho em alguns dias e com volume financeiro altíssimo, acredito que faz sentido embolsar parte dos resultados, já que uma sequência de altas deste nível no Ibovespa é incomum”, afirma.

Para Xavier, uma correção não significa necessariamente o fim do movimento. “É de se esperar que haja uma breve correção para uma possível retomada da alta, se as teses que aceleraram esse movimento se confirmarem.”

O cenário eleitoral continua no centro das atenções. Segundo o analista, boa parte da recuperação desde meados de agosto está ligada às mudanças de alocação diante da corrida presidencial, com o mercado precificando diferentes cenários para juros e política fiscal.

Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) pesam no Ibovespa

A realização de lucros ficou evidente entre algumas das ações que haviam avançado nas últimas semanas. A Vale (VALE3) caiu 2,91%, enquanto Petrobras PN (PETR4) recuou 1,33% e Petrobras ON (PETR3) perdeu 1,79%. A Prio (PRIO3) teve baixa ainda mais forte, de 4,52%.

Xavier chama atenção para o movimento da Vale, que havia acumulado forte valorização desde meados de agosto. “Apesar da queda forte de hoje, não podemos ignorar a relevância que é uma alta deste nível para uma empresa tão grande como é a Vale, especialmente por razões mais especulativas.”

Na direção contrária, a CSN (CSNA3) ganhou 6,69%, depois de chegar a disparar quase 20% pela manhã com a troca no comando da companhia.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, destaca que o fluxo estrangeiro continua relevante. Segundo ela, mesmo com as incertezas políticas e fiscais, as commodities seguem no radar dos investidores internacionais.

Cotação do dólar hoje

A moeda chegou a R$ 5,0702 na mínima do dia, mas recuperou terreno durante a sessão.

Rebecca explica que duas forças vêm atuando sobre o câmbio: de um lado, a entrada de capital estrangeiro na B3 favorece o real; do outro, o cenário internacional limita uma queda mais intensa da moeda norte-americana.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Entre as maiores altas do dia ficaram Hapvida (HAPV3), +6,70%; CSN (CSNA3), +6,69%; CSN Mineração (CMIN3), +4,06%; Multiplan (MULT3), +3,13%; e Magazine Luiza (MGLU3), +2,96%.

Na ponta negativa, Prio (PRIO3) caiu 4,52%; Vale (VALE3), 2,91%; Cury (CURY3), 2,55%; Vamos (VAMO3), 2,31%; e Vivara (VIVA3), 2,06%.

Fechamento das bolsas americanas

Wall Street seguiu na direção oposta ao mercado brasileiro e terminou em forte alta, com queda nos rendimentos dos Treasuries e declarações de Christopher Waller, do Federal Reserve, reduzindo parte das apostas em uma alta dos juros em setembro.

Os investidores também ficaram em compasso de espera pelo payroll, que será divulgado nesta sexta-feira (4) e deve ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos do Fed.

Rebecca Nossig destaca que, apesar da cautela, o ambiente externo melhorou durante a sessão. “O compasso de espera nos Estados Unidos é ditado pela expectativa em torno da divulgação do payroll, dado considerado crucial para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.”

A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quarta-feira (2), foi de 185.205,09 pontos, com alta de 3,05%.

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