O Ibovespa avançou 1,30% nesta terça-feira (1º), aos 179.722,48 pontos, e emendou a décima alta consecutiva, sustentado por Petrobras (PETR3; PETR4), bancos e pela melhora da percepção do mercado sobre o cenário eleitoral. O índice chegou a superar os 180 mil pontos durante o pregão, mas perdeu parte do fôlego perto do fechamento.
O movimento também ganhou força com a entrada de investidores, inclusive estrangeiros, em opções de compra ligadas ao EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, e à Petrobras. A montagem dessas posições gera demanda adicional no mercado à vista e reforçou o fluxo para ativos brasileiros.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, destaca que o mercado doméstico também repercutiu o PIB brasileiro. A economia cresceu 0,5% no segundo trimestre, acima da mediana de 0,4%, mas alguns componentes reforçaram a leitura de desaceleração.
“Ele trouxe um recado de desaceleração da economia, principalmente quando a gente olha o setor de serviços ou consumo das famílias, que ajudou a aliviar a curva de juros nos vértices mais curtos”, afirma.
Cotação do dólar hoje
Segundo Perri, o real ganhou força principalmente pelo aumento do apetite por ativos brasileiros, mesmo em um dia no qual o dólar avançou contra uma cesta de moedas no exterior.
“Algo muito mais relacionado ao nosso mercado, pelo nosso noticiário, sobretudo mais até pela questão política, que tirou prêmio de risco dos ativos brasileiros e ajuda a nossa moeda”, explica.
Petrobras (PETR4), bancos e eleições puxam o Ibovespa
A Petrobras (PETR3; PETR4) voltou a figurar entre os principais destaques do pregão, acompanhando a disparada do petróleo diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. PETR3 subiu 4,14% e PETR4 avançou 4,11%.
O Brent para novembro fechou em alta de 4,6%, a US$ 94,65 por barril, enquanto o WTI avançou 5,2%, a US$ 90,22.
Os bancos também ajudaram o índice. O Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 2,56%, em mais uma sessão de valorização, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) também operaram no campo positivo.
Perri avalia que as pesquisas eleitorais passaram a ter peso crescente na precificação dos ativos. “O mercado já está 100% no modo eleição”, afirma, ressaltando que um acirramento maior da disputa tende a provocar movimentos relevantes em bolsa, câmbio e juros.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Na ponta positiva, a CSN (CSNA3) disparou 7,89%, com expectativas envolvendo uma possível negociação da subsidiária de cimentos. A Petrobras (PETR3) avançou 4,14%, enquanto PETR4 ganhou 4,11%.
A Vale (VALE3) subiu 0,58%, acompanhando o minério de ferro no exterior.
Entre as perdas, o Magazine Luiza (MGLU3) caiu 3,95% e liderou a ponta negativa. Apenas 15 ações do índice terminaram o pregão no vermelho.
Fechamento das bolsas americanas
Wall Street encerrou a sessão em queda, pressionada pela disparada do petróleo, pelas tensões entre Estados Unidos e Irã e pela abertura da curva de juros americana.
- Dow Jones: -0,79%, aos 52.767,59 pontos;
- S&P 500: -0,71%, aos 7.631,54 pontos;
- Nasdaq: -1,03%, aos 26.099,77 pontos.
Perri destaca que, enquanto o exterior sofreu com o petróleo e a pressão sobre os Treasuries, o mercado brasileiro conseguiu se descolar graças principalmente aos fatores domésticos.
Nos Estados Unidos, o PMI industrial e o relatório Jolts também entraram no radar. A abertura de vagas ficou em 7,3 milhões em julho, ligeiramente abaixo da expectativa de 7,35 milhões, antes do payroll previsto para sexta-feira.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de segunda-feira (31), foi de 177.418,78 pontos, com alta de 1,00%.
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