Nesta quarta-feira, 29 de abril, o Ibovespa aprofundou a correção e caiu para a casa dos 184 mil pontos, pressionado pela decisão de juros do Federal Reserve e pelo tom mais duro adotado por Jerome Powell. O índice fechou em queda de 2,05%, aos 184.750,42 pontos, no menor nível desde 30 de março, ampliando para seis sessões consecutivas a sequência negativa.
O movimento ganhou força ao longo da tarde, após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, como esperado, mas reforçar preocupações com a inflação no curto prazo. Powell destacou que choques de oferta — especialmente ligados ao petróleo — podem pressionar preços e emprego, o que elevou a cautela global.
Desde o pico histórico registrado em 14 de abril, o índice já acumula queda próxima de 14 mil pontos, evidenciando uma mudança relevante de humor no mercado.
Ibovespa reage ao Fed e amplia perdas com pressão global
A leitura do mercado foi de que o Federal Reserve segue em modo de atenção máxima diante do cenário inflacionário, especialmente com os desdobramentos do Oriente Médio afetando energia e cadeias produtivas.
Segundo Bruno Perri, da Forum Investimentos, o foco dos investidores está na sensibilidade do Fed à inflação e na possibilidade, ainda que remota, de um novo aperto monetário caso o cenário piore.
Esse ambiente de incerteza, somado à expectativa pela decisão do Copom no Brasil, reforçou a cautela e reduziu o apetite por risco ao longo da sessão.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Mesmo em um dia amplamente negativo, algumas ações conseguiram avançar, especialmente ligadas ao setor de energia e químico.
Maiores altas:
- Braskem: +5,55%
- Hypera: +3,27%
- Prio: +3,07%
Maiores baixas:
- WEG: -6,75%
- Magazine Luiza: -5,39%
- Cogna: -5,19%
Entre as blue chips, o destaque negativo ficou para Vale, que recuou 5,87%, enquanto bancos também pressionaram o índice, com perdas relevantes ao longo do dia.
Cotação do dólar hoje
O dólar acompanhou o ambiente global mais cauteloso, reagindo ao fortalecimento das Treasuries e à leitura mais dura do Fed sobre inflação.
No exterior, as bolsas fecharam sem direção única, refletindo a digestão da decisão de juros:
- Dow Jones: -0,03% (38.460 pontos)
- S&P 500: +0,02% (5.071 pontos)
- Nasdaq: +0,18% (15.712 pontos)
Apesar da leve estabilidade nos índices, o tom geral foi de cautela, com investidores avaliando os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos.
Mercado entra em modo defensivo após sequência de quedas
No Brasil, o cenário segue condicionado ao ambiente externo e à trajetória dos juros, com poucos gatilhos locais capazes de sustentar o apetite por risco no curto prazo.
A leitura mais resiliente do mercado de trabalho, via Caged, reforça a percepção de que a economia ainda resiste, mas também reduz o espaço para cortes mais rápidos da Selic, o que pesa sobre a bolsa.
Nesse contexto, o Ibovespa amplia a correção iniciada após os recordes recentes e passa a operar em um patamar mais defensivo, à espera de sinais mais claros sobre inflação, juros e geopolítica antes de retomar uma trajetória mais consistente.
Com Estadão Conteúdo
