O Ibovespa voltou a sofrer forte pressão nesta terça-feira (19) e ampliou a sequência negativa de maio. O principal índice da B3 fechou em queda de 1,52%, aos 174.278,86 pontos, perdendo 2.696,96 pontos em um pregão marcado por aversão global ao risco, alta dos juros americanos e novo estresse no ambiente doméstico. O volume financeiro somou R$ 26,1 bilhões.
A correção ganha dimensão maior quando comparada ao pico recente. Desde a máxima histórica de 14 de abril, quando fechou perto dos 199 mil pontos, o índice já devolveu mais de 24 mil pontos, em um movimento que combina deterioração externa e perda de apetite por ativos brasileiros.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, resume o cenário. “Há hoje um forte movimento de aversão ao risco globalmente, pelas pressões inflacionárias derivadas dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, que pressionam as taxas das Treasuries, com destaque para o título de 30 anos, que atingiu o maior nível desde 2007.”
Cotação do dólar hoje
O dólar voltou a ganhar força diante do real e encerrou o pregão em alta de 0,85%, cotado a R$ 5,041, retomando a marca psicológica dos R$ 5.
Segundo Perri, o ambiente externo explica parte importante desse movimento, mas o Brasil adicionou ruído próprio. “O movimento fortalece o DXY e derruba as bolsas lá fora. No Brasil, o efeito é majorado pelo resultado da pesquisa Atlas/Bloomberg e por novas notícias envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.”
Fechamento das bolsas americanas:
Maiores altas e baixas do Ibovespa
O pregão foi amplamente negativo, com apenas quatro ações fechando em alta no índice.
A exceção ficou com Usiminas (USIM5), que avançou após relatório do Itaú BBA apontando potenciais benefícios fiscais retroativos. PRIO (PRIO3), TIM (TIMS3) e Smart Fit (SMFT3) completaram o grupo restrito de altas.
Na ponta oposta, a pressão atingiu pesos relevantes. Vale (VALE3) caiu 0,99%, acompanhando a fraqueza do minério de ferro, enquanto Petrobras (PETR4) recuou 0,75% mesmo com a persistente tensão geopolítica. Bancos também pesaram no índice, com Itaú (ITUB4) em queda de 2,12% e Bradesco (BBDC4) cedendo 1,53%.
Maiores altas:
Maiores baixas:
- B3 (B3SA3): -4,96%
- Cosan (CSAN3): forte queda após falas sobre reestruturação
- Itaú (ITUB4): -2,12%
Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, destaca que o fluxo estrangeiro também segue pressionando os ativos locais. Segundo ele, a saída líquida já soma cerca de R$ 9,6 bilhões em maio, ainda que o saldo no ano permaneça positivo.
Sem alívio claro na geopolítica e com juros globais pressionados, o Ibovespa segue preso a um ambiente em que qualquer tentativa de recuperação encontra rapidamente um novo motivo para recuar.
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