O Ibovespa voltou a surpreender nesta segunda-feira, 13, ao renovar recordes e encostar nos 200 mil pontos, fechando em alta de 0,34%, aos 198.000,71 pontos — novo topo histórico. No intradia, chegou ainda mais longe, aos 198.173,39 pontos, ampliando uma sequência rara de 10 pregões consecutivos de ganhos.
O movimento consolida um rali consistente que já soma quatro recordes seguidos desde o dia 8 e leva o índice a um nível que o mercado projetava apenas para o fim de 2026. No mês, o avanço já é de 5,62%, enquanto, no ano, o ganho alcança 22,89%.
Ibovespa vira com Nova York e acelera rumo aos 200 mil
O dia começou negativo, mas o Ibovespa mudou de direção ao longo da tarde, acompanhando a recuperação de Nova York e reforçando o alinhamento com o fluxo externo.
O gatilho veio do exterior: as bolsas americanas ganharam força após declarações indicando possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. No fechamento:
- Dow Jones: +0,63%
- S&P 500: +1,02%
- Nasdaq: +1,23%
Esse movimento foi suficiente para puxar o índice brasileiro, mesmo diante do ceticismo local. Como resumiu Bruno Takeo, estrategista da Potenza, o investidor estrangeiro continua sendo o principal motor da bolsa brasileira, enquanto o doméstico ainda atua com mais cautela.
Cotação do dólar hoje
O dólar voltou a perder força e reforçou o pano de fundo positivo para o Ibovespa, encerrando em queda de 0,29%, a R$ 4,9970 — abaixo do nível de R$ 5,00 no fechamento.
Na mínima do dia, a moeda chegou a R$ 4,9835, refletindo a combinação de fluxo estrangeiro, melhora no apetite por risco e expectativa de distensão geopolítica.
A queda do dólar acompanha o movimento global de enfraquecimento da moeda americana, enquanto investidores voltam a buscar ativos de risco, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.
Commodities e bancos sustentam o rali do Ibovespa
Na B3, o avanço do Ibovespa teve apoio relevante das blue chips, com destaque para os papéis ligados a commodities:
- Vale subiu 2,07%, fechando na máxima do dia
- Petrobras avançou cerca de 1,5% a 1,8%
Os bancos também melhoraram ao longo da tarde, acompanhando a virada do mercado, com destaque para Bradesco, que fechou em alta.
Na ponta positiva do índice, nomes mais voláteis lideraram os ganhos, como Braskem (+7,35%) e Marfrig (+5,90%), refletindo o ambiente mais favorável ao risco.
- Maiores Altas
- Maiores Baixas
Geopolítica segue no radar — mas mercado olha para frente
Apesar do avanço, o pano de fundo ainda é de incerteza. As negociações entre Estados Unidos e Irã fracassaram no fim de semana, e o cenário segue instável, com movimentações militares no Estreito de Ormuz — região estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
Mesmo assim, bastaram sinais marginais de reaproximação para sustentar o otimismo do mercado. Declarações indicando interesse do Irã em um acordo foram suficientes para destravar o apetite por risco, ainda que sem confirmação concreta.
Esse comportamento reforça o momento atual: o mercado antecipa cenários positivos antes que eles se materializem totalmente. Com isso, o Ibovespa segue avançando em território recorde — agora a poucos passos de um novo marco psicológico, com os 200 mil pontos já no radar do Ibovespa.
Com Estadão Conteúdo
