Os cotistas do fundo imobiliário HGRE11 (Pátria Escritórios) aprovaram a realização da 10ª emissão de cotas, autorizando uma oferta pública que poderá movimentar até R$ 700 milhões. A decisão foi tomada por consulta formal encerrada em 30 de julho e representa mais um passo na estratégia de expansão do portfólio do FII. A efetivação da oferta, porém, ainda depende da definição de seus termos e do lançamento ao mercado.
Conforme a ata de apuração, participaram da votação investidores que representavam 5,5% das cotas emitidas. Entre os votos válidos, 98,68% foram favoráveis à proposta, 0,49% contrários e 0,83% se abstiveram, o que garantiu a aprovação da matéria.
A emissão será executada por meio de oferta pública destinada, inicialmente, a investidores profissionais, sob o regime de melhores esforços de colocação. Os cotistas terão direito de preferência na proporção de sua participação, conforme cronograma e data-base a serem divulgados. O preço de emissão será calculado com base no valor patrimonial por cota imediatamente anterior ao início da oferta.
HGRE11 define diretrizes para a 10ª emissão
A autorização dada pelos cotistas não implica captação imediata de R$ 700 milhões. Na prática, concede à administração e à gestão do fundo a possibilidade de estruturar a operação nos termos previstos pela regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Quando convocou a assembleia, o fundo informou que os recursos poderão ser direcionados principalmente à aquisição de ativos compatíveis com a política de investimentos, bem como ao cumprimento de obrigações e ao reforço do caixa. O montante efetivamente captado dependerá da demanda durante a distribuição das novas cotas.
O regulamento aprovado prevê ainda a possibilidade de um lote adicional, caso haja interesse suficiente, e a realização de distribuição parcial. Nesse caso, a oferta poderá ser encerrada antes de atingir o valor máximo, desde que seja alcançado o montante mínimo previsto na documentação.
Gestão preserva capacidade de crescimento
A aprovação da emissão ocorre em meio a um processo de reorganização do portfólio. No início de julho, o fundo anunciou a rescisão consensual do compromisso de venda de um terreno localizado na região central de São Paulo. A negociação foi encerrada porque não foram obtidas, dentro dos prazos contratuais, as aprovações urbanísticas necessárias para o empreendimento previsto no local.
Com o distrato, o imóvel voltou à livre disposição do fundo para novas negociações ou outras alternativas de desenvolvimento. Na operação, o FII devolverá parte dos valores recebidos como sinal ao comprador, mas manterá R$ 2,25 milhões referentes a indenizações e remuneração contratual, conforme estabelecido no acordo. A gestão informou que poderá avaliar novas estratégias para maximizar o valor do ativo para os cotistas.
Embora a emissão aprovada não esteja vinculada a uma aquisição específica, a combinação entre a possibilidade de captar novos recursos e a manutenção do terreno no portfólio amplia a flexibilidade da gestão para executar sua estratégia de reciclagem e expansão de ativos.
Como é o portfólio do fundo
O FII é de gestão ativa e tem foco em lajes corporativas. Seu objetivo é adquirir, administrar, locar e eventualmente alienar imóveis comerciais capazes de gerar renda recorrente e ganho de capital ao longo do tempo.
O patrimônio líquido do fundo gira em torno de R$ 1,7 bilhão, e as cotas são negociadas com desconto em relação ao valor patrimonial, segundo dados de mercado. Nos próximos meses, o mercado acompanhará a definição do cronograma da oferta, do preço de emissão e dos ativos que eventualmente poderão ser incorporados ao portfólio com os recursos da nova captação. Até lá, a decisão da assembleia representa apenas a autorização para que a operação seja estruturada, e não a confirmação de sua execução integral.
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