A leitura dos relatórios de janeiro de 17 principais fundos imobiliários listados na B3 aponta mudança relevante no tom dos administradores. Em diversas categorias — logística, renda urbana, shopping centers, crédito e híbridos — a avaliação dominante é de que o ciclo de alta de juros se aproxima do fim, com início de cortes visto como provável para 2026, em contraste com a percepção mais distante de meses anteriores.
A Selic em 15% é descrita nos relatórios gerenciais como próxima ao topo do ciclo. Pelo menos quatro documentos citam a comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom), que condiciona a flexibilização a dados de inflação e expectativas, abrindo a possibilidade de movimento inicial já em março, caso o cenário confirme a tendência.
Fundos logísticos como HGLG11, BTLG11 e XPLG11 destacam que, mesmo com juros elevados, o mercado precifica o término do aperto e antecipa cortes graduais no primeiro semestre. Em renda urbana, HGRU11 e veículos fundos híbridos com exposição a lajes corporativas e galpões indicam leitura semelhante: a política monetária está no trecho final do ciclo restritivo.
No crédito, BTCI11, KNCR11 e MXRF11 reforçam que o Copom vinculou os cortes à trajetória dos indicadores, enquanto as curvas embutem reduções iniciais de 25 a 50 pontos-base. Entre os shoppings, HSML11, XPML11 e VISC11 citam melhora da inflação e sinal de flexibilização próximo; o HSML11 fala em “elevada probabilidade” de início do ciclo em março.
IFIX e desempenho recente do setor
O MXRF11 ressalta que o IFIX acumulou 21,15% de alta em 2025, apesar da Selic em 15%. Gestores lembram que parte da recuperação já reflete a antecipação de cortes. Vários relatórios gerenciais afirmam que os fundos imobiliários seguem negociando abaixo do valor patrimonial, sobretudo em ativos físicos, mantendo prêmio de risco elevado.
A leitura conjunta dos 17 documentos sugere consenso: o ciclo de alta se encerra e 2026 pode marcar inflexão relevante para o setor. Embora prevaleça cautela e dependência do quadro macro, a base de preços descontada e carteiras preparadas para compressão de taxas favorecem o mercado de fundos imobiliários caso a trajetória de juros se confirme.
