A maioria dos gestores de fundos multimercados espera um novo corte de juros no Brasil, mas o posicionamento das carteiras mostra cautela com o câmbio e com a economia doméstica. Pesquisa realizada com 20 gestoras aponta que 95% aguardam uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, para 13,75% ao ano, na reunião do Copom desta quarta-feira (16).
O levantamento foi feito entre 4 e 11 de setembro e também mostrou aumento das posições compradas na Bolsa brasileira, enquanto as apostas vendidas foram zeradas. Ao mesmo tempo, os gestores reduziram a exposição direcional ao dólar e ampliaram posições neutras.
Mercado espera corte de juros no Brasil
A expectativa predominante entre os gestores é de que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual. A projeção está alinhada à mediana do relatório Focus, que também aponta a taxa em 13,75% ao ano no fim de 2026.
Nos Estados Unidos, o cenário é diferente. Cerca de 75% dos gestores consultados esperam manutenção dos juros pelo Federal Reserve na reunião desta quarta-feira, enquanto os demais apostam em uma alta.
A pesquisa também revisou para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, de 2% para 1,8%. A estimativa para o IPCA recuou de 5,01% para 4,97%, enquanto a Selic projetada para o fim do ano ficou em 13,5%, abaixo da previsão predominante do mercado.
Gestores reduzem aposta no dólar
O principal destaque do levantamento foi a mudança no posicionamento cambial. A parcela de gestoras compradas em dólar caiu de 46% em agosto para 20% em setembro. As posições vendidas avançaram de 21% para 35%, enquanto a neutralidade passou de 33% para 45%.
No real, 60% dos gestores estavam neutros, ante 21% na pesquisa anterior. As posições vendidas na moeda brasileira recuaram de 42% para 10%, e as compradas passaram de 38% para 30%.
O movimento indica menor disposição para assumir grandes apostas direcionais em moedas diante das incertezas no ambiente externo e da proximidade do processo eleitoral brasileiro.
Bolsa brasileira ganha espaço nas carteiras
Apesar da leitura mais negativa sobre a economia local, os gestores aumentaram a exposição à Bolsa brasileira. As posições compradas avançaram de 63% para 70%, enquanto as posições vendidas foram zeradas, contra 17% em agosto.
No exterior, a parcela de gestores comprados em ações dos Estados Unidos recuou de 54% para 50%. Já as posições compradas em mercados globais fora dos EUA subiram de 17% para 25%.
A combinação sugere uma preferência relativa por ativos brasileiros, embora acompanhada de cautela com a economia e com os riscos macroeconômicos.
Visão sobre a economia brasileira atinge pior nível
A perspectiva negativa para a economia doméstica subiu para 55%, o maior nível da série da pesquisa. A visão positiva, contudo, melhorou de 8% para 20%, enquanto a parcela neutra recuou de 38% para 25%.
No cenário global, o sentimento foi menos pessimista. A avaliação positiva avançou de 33% para 40%, e a negativa caiu de 21% para 10%. Mesmo assim, a neutralidade continua predominante, com 50% das gestoras sem uma aposta definida.
A pesquisa aponta que os fundos multimercados seguem buscando flexibilidade para atravessar um cenário de volatilidade. Como essas estratégias combinam juros, moedas, Bolsa e outros ativos, os gestores reforçam que o desempenho deve ser avaliado em horizontes mais longos, geralmente superiores a 36 meses.
Com o Copom no centro das atenções, a combinação de expectativa de corte de juros, maior exposição à Bolsa e cautela no câmbio revela um mercado que busca oportunidades, mas evita concentrar riscos antes das decisões de política monetária.
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