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Gestoras reforçam posição em dólar com riscos eleitorais e fiscais no Brasil

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dólar. Foto: Pixabay

O dólar voltou a ganhar espaço nas carteiras de grandes gestoras brasileiras. Em suas cartas mensais mais recentes, Fator e AZ Quest destacaram a combinação de incertezas fiscais, aproximação das eleições e um cenário internacional mais turbulento como fatores que justificam a manutenção de posições compradas na moeda americana.

A convergência ocorre em um momento em que os mercados tentam calibrar os impactos do conflito no Oriente Médio, a trajetória dos juros nos Estados Unidos e as perspectivas para a economia brasileira. Embora as duas casas ainda enxerguem espaço para cortes graduais na Selic, ambas adotaram uma postura mais cautelosa em relação aos ativos domésticos.

Na Fator, a proteção cambial aparece como uma das principais apostas da estratégia macro para os próximos meses.

“Seguimos com posição comprada em dólar de forma opcionalizada, buscando nos beneficiar de um possível aumento de volatilidade à medida que o calendário eleitoral avança e a atratividade do real como moeda de carry trade se reduz”, afirmou a gestora.

A AZ Quest também manteve exposição comprada em dólar frente ao real e informou que segue com viés favorável à moeda americana por meio de operações táticas.

Cenário global favorece busca por proteção

Por trás desse posicionamento está a leitura de que o ambiente internacional continua marcado por riscos relevantes. As duas gestoras destacam que o conflito no Oriente Médio segue como uma das principais fontes de preocupação dos mercados.

Na avaliação da Fator, o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, manteve os preços da commodity em patamares elevados durante boa parte do período analisado, alimentando preocupações com a inflação e reduzindo as apostas de cortes de juros nas principais economias.

A AZ Quest compartilha diagnóstico semelhante. Segundo a casa, a economia americana continua mostrando resiliência, com mercado de trabalho aquecido e atividade econômica ainda sólida, o que dá ao Federal Reserve espaço para manter uma postura cautelosa.

“O cenário global continua sendo caracterizado pela resiliência da atividade econômica, especialmente em segmentos ligados aos investimentos em infraestrutura e bens de capital, ao mesmo tempo em que as pressões inflacionárias permanecem elevadas em função de choques de oferta, principalmente no setor de energia”, escreveu a gestora.

Esse contexto tende a favorecer o dólar globalmente, uma vez que reduz a urgência de cortes de juros nos Estados Unidos e aumenta a procura por ativos considerados mais seguros.

Pressão sobre os ativos brasileiros

Além dos fatores externos, as gestoras apontam que o ambiente doméstico se tornou mais desafiador.

A Fator destaca que o IPCA-15 de maio veio acima das expectativas, refletindo pressões em alimentação, serviços e energia. O resultado contribuiu para uma reprecificação das expectativas para a taxa Selic e para a abertura da curva de juros.

Ao mesmo tempo, o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira perdeu força. Segundo a casa, maio registrou saída líquida próxima de R$ 14 bilhões de investidores estrangeiros, contribuindo para a queda de 7,2% do Ibovespa no mês e para a valorização do dólar frente ao real.

A AZ Quest também chama atenção para o aumento dos riscos fiscais e políticos. A gestora afirma que a aproximação das eleições presidenciais tende a ampliar a volatilidade dos mercados, especialmente em um contexto de inflação ainda pressionada e atividade econômica resiliente.

Apesar disso, a casa manteve sua projeção de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, com cortes graduais de 0,25 ponto percentual na Selic. O principal risco para esse cenário, segundo a gestora, seria uma nova deterioração das expectativas de inflação.

Divergência sobre a Bolsa brasileira

Embora compartilhem uma visão mais defensiva no câmbio, Fator e AZ Quest adotam posturas diferentes em relação à renda variável brasileira.

A AZ Quest mantém uma posição vendida em Ibovespa por meio de opções dentro de sua estratégia macro. A casa argumenta que as incertezas políticas, a pressão fiscal e a dependência do fluxo estrangeiro justificam uma postura mais cautelosa no curto prazo.

Além da exposição ao dólar, a gestora também segue posicionada em ouro, cobre e petróleo, buscando diversificação diante das incertezas globais.

Já a Fator continua construtiva com o mercado acionário brasileiro. A gestora avalia que muitos ativos locais seguem negociando a múltiplos atrativos, mesmo após a recente correção do mercado.

Nos fundos de ações, as principais exposições permanecem concentradas em bancos, energia, materiais básicos e utilities. A casa também ampliou posições no setor imobiliário, especialmente em empresas ligadas ao programa Minha Casa, Minha Vida, que considera capazes de sustentar forte geração de caixa mesmo em um ambiente de juros elevados.

Segundo a Fator, a recente saída de investidores estrangeiros e o aumento da volatilidade não alteram a visão de longo prazo para as empresas brasileiras.

O que as gestoras monitoram daqui para frente

Para os próximos meses, as duas casas devem continuar acompanhando a evolução do conflito no Oriente Médio, o comportamento dos preços do petróleo e os sinais emitidos pelos principais bancos centrais do mundo.

No Brasil, o foco estará na trajetória da inflação, no ritmo dos cortes da Selic e no ambiente político à medida que o calendário eleitoral de 2026 se aproxima.

Nesse cenário, a manutenção de posições compradas em dólar mostra que, apesar das oportunidades identificadas em diferentes classes de ativos, as gestoras seguem priorizando mecanismos de proteção diante de um ambiente marcado por maior volatilidade e incerteza.

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