Apesar de 2025 ter sido marcado por um ambiente ainda desafiador para a indústria de fundos de ações no Brasil, alguns gestores conseguiram transformar o cenário em oportunidade. Beneficiados pela rotação setorial e por estratégias mais flexíveis, determinados fundos se destacaram em performance mesmo em um contexto de alocação historicamente baixa em renda variável.
Em 2025, o mercado acionário entregou resultados expressivos: o Ibovespa avançou 34%, seu melhor desempenho anual desde 2016, impulsionado principalmente pela entrada de capital estrangeiro, com R$ 25,5 bilhões.
O desempenho da Bolsa em 2025 foi puxado majoritariamente por setores domésticos e sensíveis aos juros, como Educação, Construção Civil e Elétricas, que lideraram os ganhos do Ibovespa no ano. Esse movimento beneficiou gestores posicionados em empresas de qualidade, com balanços sólidos e exposição direta ao ciclo econômico local.
Foi nesse contexto que estratégias mais ativas e flexíveis ganharam destaque. A rotação setorial, com redução de exposição a commodities e aumento de posições em setores domésticos e a busca por empresas exportadoras, que se beneficiaram a reorganização do comércio global, estiveram entre os principais vetores de ganho.
Fundos de destaque
Entre os exemplos, os fundos de ações da AZ Quest figuraram entre os destaques do ano. O AZ Quest Top Long Biased, por exemplo, encerrou 2025 com alta de 23,98%, sustentando um desempenho acumulado de 73,4% em três anos.
Já o AZ Quest Small Mid Caps avançou 31,09% no ano, apoiado principalmente na seleção de empresas ligadas ao consumo doméstico e em posições em setores que se beneficiaram da queda das taxas de juros.
Na carta mensal de dezembro, a AZ Quest destacou que o resultado foi fruto de uma combinação entre disciplina na alocação, foco em empresas com fundamentos sólidos e capacidade de adaptação ao ambiente macro.
Segundo a gestora, a melhora gradual das expectativas para a política monetária brasileira e a rotação global de ativos criaram um pano de fundo favorável para estratégias ativas, especialmente em small e mid caps.
Outro caso emblemático foi o da Fator Asset. O Fator Absoluto, fundo multimercado com forte exposição direcional à Bolsa, acumulou valorização de 46,2% em 2025, superando com folga o desempenho do Ibovespa.
A gestora atribui o resultado à combinação entre posições em ações domésticas sensíveis a juros, exposição seletiva a empresas exportadoras e gestão dinâmica de risco ao longo do ano.
Em sua carta, a Fator ressaltou que a performance foi alcançada mesmo em um cenário de resgates líquidos na indústria, reforçando a leitura de que a gestão ativa teve papel decisivo na captura das oportunidades criadas pela volatilidade.
Desconexão entre fluxo e retorno
Em relatório, a XP destaca que 2025 escancarou uma desconexão entre fluxo e retorno no mercado de ações. Enquanto os preços dos ativos avançaram de forma expressiva, o investidor local permaneceu, em grande parte, à margem do movimento.
Para a Fator, essa dinâmica reflete não apenas o nível ainda elevado de juros reais, mas também o trauma recente de ciclos anteriores de volatilidade. Já a AZ Quest avalia que a ausência do investidor doméstico acabou ampliando a assimetria de retorno para quem conseguiu manter posições ao longo do ano, especialmente em setores beneficiados pelo ciclo de afrouxamento monetário.
O que esperar para 2026
Olhando à frente, a XP avalia que 2026 tende a ser um ano em que os fatores domésticos ganham protagonismo, com destaque para o início do ciclo de cortes de juros no Brasil e para o impacto das eleições presidenciais sobre a percepção de risco fiscal.
Na visão das gestoras, caso o cenário macroeconômico siga favorável, a indústria de fundos de ações pode se beneficiar de uma recomposição gradual de alocação, hoje ainda em patamar historicamente baixo. Para AZ Quest e Fator, o desafio será manter a disciplina e a seletividade em um ambiente que tende a se tornar mais competitivo, mas que ainda oferece espaço relevante para geração de alfa via gestão ativa.
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