Os Fiagros ultrapassaram a marca de 600 mil investidores pessoas físicas na B3, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (10) pela bolsa brasileira. No momento, 57 fundos dessa classe estão listados. As emissões somaram R$ 8,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, com expansão na comparação anual, embora a B3 não tenha informado o percentual.
As informações foram apresentadas por ocasião do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em parceria com a B3. A bolsa destacou o papel crescente do mercado de capitais como fonte complementar de financiamento ao setor.
Pelo desenho desses veículos, os Fiagros canalizam recursos para atividades e ativos ligados às cadeias agroindustriais, contribuindo para aproximar empresas, produtores e investidores. A B3 reforça que a diversificação de instrumentos amplia a capacidade de financiamento privado no agronegócio.
Fiagros ampliam base de investidores
Os Fiagros permitem a participação de investidores no financiamento de diferentes etapas e ativos das cadeias agroindustriais. Segundo a B3, a expansão desses instrumentos conecta a demanda por capital do setor à poupança dos investidores, fortalecendo a oferta privada de recursos.
Para Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, o avanço do número de investidores interessados no agronegócio e a maior variedade de instrumentos elevam as alternativas de financiamento para o segmento produtivo. Ele afirma que programas de crédito direcionado, como o Plano Safra, seguem essenciais, enquanto o mercado de capitais exerce função complementar ao aproximar empresas e produtores dos investidores.
Na avaliação da B3, a presença de mais de 600 mil pessoas físicas em Fiagros reflete a consolidação desse canal de financiamento. O ambiente regulatório e a oferta de produtos têm favorecido o acesso de diferentes perfis de investidores ao setor.
Mercado de capitais fortalece o agro
Os Fiagros compõem apenas parte do conjunto de instrumentos privados voltados ao agronegócio. Em junho de 2026, o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) registrado na infraestrutura da B3 superou R$ 474 bilhões. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) somaram R$ 563 bilhões, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) alcançaram R$ 174 bilhões. Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) superaram R$ 30 bilhões.
Na base de comparação, em junho de 2025 o estoque de CPRs registrado na B3 estava acima de R$ 418 bilhões, e os CRAs totalizavam R$ 160 bilhões. Os números indicam avanço do financiamento privado ao setor no período.
O movimento ocorre em um contexto de maior atividade do mercado de capitais brasileiro. No primeiro semestre de 2026, as ofertas atingiram R$ 361,8 bilhões, o maior volume para o período, segundo a B3. A renda fixa respondeu por R$ 288 bilhões desse montante, reforçando a demanda por emissões de dívida corporativa e instrumentos setoriais.
Gestão de risco ganha tração no agro
Além da captação, a B3 ressalta o uso de contratos futuros e opções para gestão de risco de preços no agronegócio. No Contrato Futuro de boi gordo, o volume médio diário negociado passou de cerca de R$ 650 milhões em 2025 para R$ 935 milhões em 2026. No futuro de milho, o número de contratos em aberto cresceu 55%, conforme dados da bolsa.
Segundo a B3, esses instrumentos podem ser utilizados por produtores, cooperativas e empresas ligadas às cadeias do agronegócio para reduzir a exposição a oscilações de preços e apoiar o planejamento financeiro. A combinação de financiamento via mercado de capitais e ferramentas de proteção de preços tende a ampliar a previsibilidade para os agentes do setor.
Nesse cenário, os mais de 600 mil investidores pessoas físicas dos Fiagros representam uma das portas de entrada para o financiamento de atividades e ativos ligados às cadeias agroindustriais. Com 57 fundos listados e R$ 8,3 bilhões em emissões no primeiro semestre de 2026, a classe se consolida como alternativa complementar ao crédito direcionado.
