O Fed pode estar mais distante de cortar juros do que o mercado gostaria — e o JPMorgan está entre os primeiros a colocar isso de forma direta. Em relatório recente, o banco revisou sua visão e passou a projetar que o Federal Reserve deve manter as taxas estáveis ao longo de 2026, em meio a um cenário ainda pressionado pela inflação e pelas incertezas globais.
A mudança de tom ocorre em um momento em que investidores ainda discutem quando — e se — o ciclo de cortes voltará com força, especialmente após os impactos recentes do conflito no Oriente Médio sobre energia e preços.
Fed: inflação ainda é o principal obstáculo
Segundo o JPMorgan, o principal fator que impede uma flexibilização monetária mais rápida continua sendo a inflação, que segue acima da meta e com risco de desancoragem.
“Com a inflação ainda elevada, autoridades têm reduzido o entusiasmo por cortes de juros”, aponta o relatório do JPMorgan.
Além disso, o banco destaca que o choque recente nos preços de energia — impulsionado pelas tensões envolvendo o Irã — adiciona uma camada extra de incerteza ao cenário, dificultando qualquer decisão mais dovish no curto prazo.
Mercado aposta em cortes — mas JPMorgan vai na contramão
Enquanto parte do mercado ainda projeta ao menos um corte de juros em 2026, o JPMorgan adota uma visão mais conservadora.
Na avaliação do banco, a probabilidade de cortes neste ano é baixa — e o cenário base sequer contempla redução de juros no período.
Mais do que isso: o banco já projeta que o próximo movimento relevante pode ocorrer apenas em 2027, indicando um ciclo monetário mais restritivo do que o antecipado por outras instituições.
Emprego pode ser o gatilho para mudança
Apesar do tom mais duro, o JPMorgan reconhece que o cenário ainda está aberto — especialmente pelo comportamento do mercado de trabalho.
Se houver uma deterioração mais clara do emprego ou um impacto mais forte do choque de energia sobre a atividade, o Fed poderia reconsiderar sua postura.
No fim das contas, a leitura do banco é que a política monetária seguirá cautelosa por mais tempo. Como destaca o relatório, “cortes de juros só devem ocorrer caso haja um enfraquecimento significativo do mercado de trabalho ou uma desaceleração mais intensa da atividade”, o que reforça o cenário de espera prolongada para o Fed.
